(Divulgação / FreePik) Neste 2026, minha única meta é levar a sério os exercícios físicos, e tenho sido rígida comigo mesma. Até agora, nenhuma gripe, nenhuma dor no joelho, nenhuma reunião, nenhuma chuva, ou seja, nenhuma desculpa esfarrapada me desviou do caminho. Posso até dizer que já não vou mais na força do ódio. Estou realmente gostando. Claro, também porque ficou mais fácil. No começo, tudo era complicado. Só entender os nomes dos exercícios já era um desafio — cumprir, então, nem se fala. Agachamento? Um sacrifício. Prancha alta? Treme tudo, do dedinho da mão ao dedinho do pé. Mas não é que agora já consigo ficar mais de um minuto ali, firme, paradinha? Um dos meus preferidos é o remador. Despejo todo o estresse nele. Puxo com vontade, como se estivesse deixando ali todas as pequenas irritações do dia. Mesmo assim, ainda tenho meus limites. No estúdio onde treino, que é bem personalizado, a turma do meu horário geralmente é 50+. Mas, em alguns dias, surge um adolescente cheio de gás. Ele faz o treino na velocidade da luz. O personal até dá umas broncas, mas não adianta: o menino simplesmente voa. Enquanto a gente está ali negociando com o próprio corpo para sobreviver à série, ele já terminou, quer aumentar carga e ainda pergunta: “tem mais?”. Dá vontade de pedir um pouco dessa bateria emprestada — nem que seja só para os abdominais. Mas, brincadeiras à parte, uma das melhores coisas que me aconteceram com a constância do exercício foi dormir melhor. E isso muda tudo. A ansiedade, que hoje atinge todas as idades, encontra um pouco de silêncio quando o corpo cansa do jeito certo. Vivemos em um tempo de comparação constante com vidas editadas; receio de ficar por fora do que está acontecendo se ficarmos sem celular, além de uma enxurrada de informações — verdadeiras, falsas, boas e ruins — o tempo inteiro. É muita coisa. Para os mais jovens, então, que já nasceram nesse mundo acelerado, o impacto é ainda maior. Por isso, mais do que nunca, eles precisam se movimentar. De preferência ao ar livre, ainda mais nós, que temos o privilégio de viver perto do mar. Mas, se for na academia, já vale. O importante é sair da frente da tela, focar em outra coisa, mexer o corpo, esvaziar a cabeça, conviver de verdade. No fim das contas, cada um no seu ritmo. No tempo do corpo. O pré-adolescente voando, a gente ali, respirando fundo entre um exercício e outro, e tudo bem. Porque o mais difícil, eu já descobri, não é correr mais rápido nem pegar mais peso. É continuar. Pelo menos nisso, estou mandando bem.