[[legacy_image_354334]] Tem aquela máxima que o livro é sempre melhor que o filme, mas isso não é uma verdade absoluta. Mesmo quando são os best sellers. Gosto de ler o que será ou já foi adaptado. Me atrai a sensação de ver os personagens pelos quais me apaixonei ou odiei ganharem vida (além daquela na minha cabeça, onde eles já existiam). Livro é isso: a gente cria um mundo na nossa mente e, dependendo do talento do autor, ele é mais fantástico ou real. Quando li Harry Potter, imaginei todo aquele universo de beco diagnonal, escadas que mudavam de lugar, cerveja amanteigada e partidas de quadribol. Assistir aos filmes foi ver aquilo de forma palpável. O máximo! É péssimo quando escolhem um elenco totalmente diferente do que você imaginava. Frustrante. Já estou aqui sofrendo com a adaptação de É Assim Que Acaba, da Colleen Hoover (livro mais vendido no Brasil em 2023), porque achei os atores muito diferentes do que os protagonistas eram na minha cabeça. Na década de 1990, quando devorei a série de livros do Christian Jacq, com a saga do faraó Ramsés, que mescla história antiga e romance, eu ia lendo e pensando que o Ramsés era o Keanu Reeves. E a Nefertari estava no corpo da Sandra Bullock. O filme nunca foi feito, afinal ainda não havia plataformas de streaming para aumentar o volume de produções, então fiquei com meu elenco pessoal. Aliás, existe um site no qual os fãs podem apontar quais atores e atrizes representam melhor os personagens de cada livro: é o www.mycast.io. Eles fazem um ranking com os mais votados. Frustrante, principalmente para os leitores adolescentes que têm como livro de cabeceira Amor & Gelato, foi assistir à péssima adaptação da Netflix de mesmo nome. Decepcionante, para dizer o mínimo. O filme tem um elenco que não convence e os roteiristas mudaram pontos fundamentais da história, além de não conseguirem captar a magia da Itália, que é um dos pontos fortes das obras da autora Jenna Evans Welch. Nas sequências da série literária, ela leva os leitores à Irlanda (Amor & Sorte) e à Grécia (Amor & Azeitonas). O filme até bombou, quando lançado, na plataforma de streaming, mas foi esquecido rapidinho, já que não agradou. Entre os exemplos de filme melhor que o livro, na minha lista está Comer, Rezar e Amar. Achei a leitura chata, beirando à auto-ajuda, gênero que não me atrai. Mas, para minha surpresa, adorei a adaptação estrelada por Julia Roberts e assisto sempre que estiver passando. O elenco primoroso, as paisagens dos países visitados pela protagonista e a química de Julia com Javier Bardem (aliás, esses dois têm química até com poste, né?) fizeram a história ser muito melhor, mais divertida e fácil. O mesmo acontece com o recém-chegado ao catálogo da Prime Video, Uma Ideia de Você, com Anne Hathaway e o queridinho do momento, Nicholas Galitzine. O ator também parece pegar fogo com qualquer par. Em Azul, Branco e Sangue Azul, ele faz o príncipe do Reino Unido que se apaixona pelo personagem de Taylor Perez, que é filho da presidente dos Estados Unidos, e os dois estão ótimos. Enfim, voltando à estreia desta semana, o livro Uma Ideia de Você foi difícil de ler. Olha que sou leitora compulsiva, daquelas que deixa de dormir para chegar ao final. Mas nesse caso fui meio no tranco. Do tipo que não engrena, não sai do lugar e, pior, vai deixando uns enredos inacabados no caminho. O roteiro adaptado da Prime, no entanto, conserta esses probleminhas. O filme passa rápido, tem um encadeamento melhor construído e os atores funcionam bem juntos, convencem. Você torce por eles. Quer que vençam todas as probabilidades do namoro dar errado. É filme de Sessão da Tarde, porém mais picante. Não é nenhum enredo edificante, só puro entretenimento. A gente merece. Para quem não leu Uma Ideia de Você e gosta de comédia romântica, o filme vai agradar. Tem casal com química, uma boy band com músicas feitas para a produção e bons atores. Spoiler: quem já leu pode assistir sem medo, o final é bem melhor.