Imagem Ilustrativa (Pixabay) Tem manhãs em que a gente nem deveria abrir o celular. Sabe aquele tipo de dia? Acorda com sono, toma um café meio frio, com um gosto meio estranho. O sapato aperta mais do que o normal, a calça que você queria está amassada e acabou o pão. Mas você abre a rede social. Faz parte, já virou hábito, quase mais do que o desjejum. Acho que vai chegar o dia (bem em breve) que vamos acionar o celular antes mesmo de abrir os olhos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Depois de acessar, entre um deslizar de dedo e outro, dá aquela coceirinha: postar alguma coisa. Talvez fosse a lua minguante, talvez fosse o tédio de uma quarta-feira qualquer. O fato é que, sem pensar muito, a gente escreve. Aquelas palavras que digitamos rapidinho com os polegares, sem muito filtro nem reflexão. Quem nunca, né? Um desabafo inocente, uma piada boba, um comentário impulsivo. Postar é rápido. O que ninguém te conta — ou talvez todo mundo avise e você finge não ouvir — é que o ‘postar’ é só o começo. É como uma pedrinha jogada na água. Pequena, sem importância, mas as ondas que ela faz… Ah, as ondas são imprevisíveis. Em questão de minutos, a tal postagem, que parecia inofensiva, vira uma correnteza, um tsunami. Um comentário aqui, um compartilhamento ali. De repente, aquela piada sem graça virou debate. E não um debate qualquer, mas um daqueles que você preferia nem estar participando. Alguém se sentiu ofendido, outra pessoa interpretou de forma completamente errada, e no meio dessa confusão está o atirador da pedrinha. “Era só uma postagem idiota”, ele pensa. Mas já era. As redes sociais têm dessas coisas. O que é dito não volta. Não adianta apagar, sempre tem um print. Pode pedir mil desculpas, explicar o contexto, as ondas continuam, às vezes, quanto mais se mexe, mais água espirra. O eco pode ser mais forte do que o vento noroeste em dia de virada do clima. A gente sabe que o tempo vai fechar, mas pouco pode fazer. Parece exagero, mas uma postagem pode, sim, mudar o rumo da sua vida. Aquela vaga de emprego que estava quase certa, de repente, some. Uma amizade antiga desmorona por causa de um mal-entendido. Até aquele parente distante, que nunca comenta nada, resolve te ligar, só para dar ‘aquele toque’. A verdade é que estamos vivendo tempos em que tudo pode ficar grande, para o bem ou para o mal. Mesmo a mais boba das palavras pode carregar um peso que a gente talvez ainda não tenha aprendido a segurar. A vida on-line, em velocidade de tempo real e alcance global, deixa tudo maior. Assim como a menina do ‘Que show da Xuxa é esse?’ virou estrela da noite para o dia, décadas depois de gravar um vídeo, o contrário também pode acontecer. Depois que eu vi o tiktoker canadense que viralizou mundialmente ensinando receitas com pepino, eu juro que não entendo mais nada. Soube que o pepino esgotou na Islândia, gente. É brincadeira? Nem estamos falando de pão de queijo ou de doce de leite. Pepino?! Acho que nem ele imaginava tamanho sucesso. Bom, quando acordar e der aquela vontade de postar algo sem pensar, tome mais um café — de preferência quente — e lembre-se que nem tudo precisa ser compartilhado. Guarde umas pedrinhas com você.