Turistas estrangeiros

O Brasil precisa fazer a lição de casa, com mais infraestrutura, redução de custos e estratégias elaboradas

Por: ATribuna.com.br  -  26/10/22  -  06:09
Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil que chegam no Brasil em setembro atingiu US$ 416 milhões
Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil que chegam no Brasil em setembro atingiu US$ 416 milhões   Foto: Divulgação

O total de gastos de turistas estrangeiros no Brasil, que em setembro atingiu US$ 416 milhões, melhor resultado para o mês desde 2016, é mais um índice da área de serviços em tendência de alta que merece ser comemorado. Essa receita não é das maiores para o ingresso de recursos internacionais no País, mas é fundamental para a geração de empregos de baixa capacitação, com grande efeito social para os trabalhadores de regiões especializadas na atração desse público, como Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Santa Catarina, Nordeste e mesmo São Paulo.


No acumulado do ano, os turistas estrangeiros deixaram US$ 3,6 bilhões no Brasil. O importante é aumentar essa cifra até para que o Governo Federal, os estaduais e municipais passem a considerar esse mercado como essencial para o crescimento da economia. O Brasil tem problemas estruturais que dificultam ao País enfrentar concorrentes do primeiro time do turismo, como Espanha, Itália, França e Estados Unidos. A violência urbana é a pior imagem que se pode ter, assim com um sistema de transporte precário e caro que desestimula um turista conhecer, por exemplo, Recife (PE) e Alter do Chão (PA).


Até a inexistência de uma rede de trens de passageiros entre São Paulo e Rio de Janeiro ou interligando as capitais do Nordeste é estranhíssima para um estrangeiro que vem ao Brasil interessado em visitar o maior número possível de cidades próximas. Por aqui, não há a possibilidade de conhecer povos diferentes como na Europa, mas existem condições para aproveitar os vários biomas e uma diversidade de praias e atrações culturais, o que apenas um país de dimensões continentais pode oferecer.


A distância do Brasil dos principais mercados fornecedores de turistas, como China, Estados Unidos e Europa, explica em parte o motivo do País atrair um total de viajantes por ano equivalente ao de Paris em duas semanas (média antes da pandemia). O marketing mais agressivo pode ser a respostas. O México é um excelente exemplo de país que sabe trabalhar suas qualidades, apesar de ter uma desvantagem parecida com a brasileira, que é a violência urbana. Os mexicanos se aproveitam da vizinhança americana, mas eles não se acomodaram apenas com esse mercado gigantesco, atraindo turistas do mundo todo. Tailândia e África do Sul, também com muita violência, e mais recentemente Turquia e Egito, investiram pesadamente no turista internacional e agora podem colher frutos.


Talvez o turismo tenha sido o setor mais atingido pela pandemia, porém, ele volta com grande potencial, apesar da tendência de recessão no Hemisfério Norte poder retardar a retomada. Mesmo assim, o Brasil precisa fazer a lição de casa, com mais infraestrutura, redução de custos e estratégias elaboradas com os segmentos afins (agências, hotéis e aéreas), tentando fixar marcas e mais referenciais do Brasil nos grandes mercados “exportadores” de turistas.


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