[[legacy_image_336005]] O governo sofreu críticas, com razão, devido à primeira fuga de um presídio federal de segurança máxima desde que esse sistema foi criado, há quase duas décadas. Com a iniciativa dos dois criminosos, que escaparam da unidade de Mossoró (RN) e que se acredita que sejam ligados ao Comando Vermelho, descobriu-se uma série de descuidos em uma unidade importante para a estratégia do setor público no enfrentamento às organizações criminosas. Cabe ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, agir prontamente para reverter essas falhas, em uma ação coordenada em todos as unidades da rede. É possível que tenha ocorrido alguma facilitação, mas os relatos de como conseguiram escapar indicam vulnerabilidade na gestão, ficando o temor de que futuramente isso avance e contamine todas essas penitenciárias especiais. Agora fica a dúvida se problemas semelhantes aos de Mossoró já estão presentes nas outras unidades da rede federal, em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Brasília. Pelo menos o ministro decretou intervenção na unidade potiguar, trocou a direção e decidiu instalar muralha em todo o sistema, como segunda proteção (ao invés do atual alambrado). Aliás, o caso se tornou a primeira crise da gestão de Lewandowski, que está no cargo há menos de um mês e que agora lida com a área que se sabia que seria seu grande desafio, a da segurança pública. Por sorte, a fuga parece ter sido isolada, mas é bom ficar alerta, pois é uma oportunidade para as organizações criminosas identificarem vulnerabilidades e tramarem a libertação de seus líderes. A própria força-tarefa que está à caça dos bandidos divulgou uma foto de um buraco na parede de uma cela. As investigações indicam que, a partir dessa abertura, eles conseguiram chegar a uma área, encontraram uma ferramenta de uma obra e, em seguida, romperam o alambrado, o que permite questionar o título de segurança máxima da unidade. Além disso, policiais enviados pelo ministério identificaram algumas câmeras com defeito e falta de iluminação, dificultando o monitoramento e, talvez, favorecendo a fuga dos bandidos. Trata-se de um desleixo inadmissível, pois a prisão abriga presos perigosos e influentes em suas organizações, a começar por Fernando Beira-Mar. Essa crise também mostrou o estilo de Lewandowski de agir, de forma bem discreta. O temperamento do ministro da Justiça e Segurança Pública não tem relação direta com o problema, mas se questionou a demora dele para se manifestar publicamente sobre a fuga, com as primeiras explicações sendo feitas por auxiliares. Perante organizações cada vez mais poderosas, é preciso ser firme e rápido. Contudo, não é hora para faturar politicamente ou tomar medidas populistas. Objetivamente, o sistema federal precisa receber mais investimentos e passar por um pente-fino sobre suas fraquezas.