[[legacy_image_208941]] A tragédia da madrugada de 3 de março de 2020, quando deslizamentos em morros da região deixaram 45 mortos, foi o maior alerta de que os cuidados contra temporais precisam ser redobrados e mantidos de forma permanente. Neste ano, com as chuvas do verão se aproximando, a reunião realizada ontem em Santos entre a Defesa Civil do Estado com representantes das nove cidades da Baixada causa um alívio. O encontro delineou esforços para evitar que as perdas de vidas se repitam, mas também para entender se algum lição foi compreendida e de fato melhorias foram implantadas para dar mais segurança às áreas atingidas há dois anos e sete meses. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A prevenção é o mais importante trabalho a ser feito, mas também é preciso cobrar o Governo do Estado e as prefeituras para que tenham uma sequência de investimentos nas encostas. E mais importante ainda que a questão habitacional da baixa renda seja uma medida central de longo prazo. Essa medida é condição para impedir que milhares de famílias ocupem áreas de alto risco ou que, futuramente adensadas além do razoável, se tornem também pontos sujeitos aos efeitos catastróficos e inesperados das mudanças climáticas que vêm na forma de enxurradas cada vez mais intensas. Segundo o coordenador da Defesa Civil de São Paulo, Henguel Ricardo Pereira, há obras de contenção nos morros para evitar novas tragédias. Ele citou na reportagem de A Tribuna de ontem o Macaco Molhado e a Barreira do João Guarda, como áreas contempladas com melhorias em Guarujá. Estes são os locais das 34 vítimas fatais no temporal de março de 2020. No caso de Santos, o coordenador da Defesa Civil, Daniel Onias Nossa, disse que os 17 bairros com morros, com destaque para o São Bento, receberam obras para evitar deslizamentos. Onias destacou outro trabalho importante, que é o educativo, de orientar a população para que ela saiba o que fazer frente a um deslizamento ou enchente. As principais medidas a serem realizadas para evitar mais tragédias são conhecidas, mas a verdade é que no País há poucos investimentos em infraestrutura urbana e habitação em áreas seguras. Ao longo dos meses, perdas de vidas se repetiram nas encostas das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro e mais recentemente em Recife (PE). Nessas ocasiões, há uma comoção, ocorrerem visitas de governadores, entre outras autoridades, que se revelam protocolares ou de “solidariedade”, porque a ausência do Estado persiste nas regiões mais pobres, ficando sujeitas à sorte e ao clima. Aliás, os cientistas alertam que a imprevisibilidade e chuvas torrenciais cada vez mais perigosas, inclusive fora das estações em que as enxurradas costumam ser mais comuns, são uma característica das mudanças climáticas, o que amplia a importância de medidas educativas e investimentos estruturais nas áreas sujeitas a deslizamentos ou alagamentos.