Por um só Brasil

Desta segunda (31) até 31 de dezembro, espera-se do atual presidente sensatez e bom senso para o período de transição

Por: ATribuna.com.br  -  31/10/22  -  06:06
Luiz Inácio Lula da Silva terá um grande desafio a partir de 1º de janeiro, em seu terceiro mandato
Luiz Inácio Lula da Silva terá um grande desafio a partir de 1º de janeiro, em seu terceiro mandato   Foto: Divulgação

O dia 30 de outubro de 2022 terá um capítulo à parte nos livros que serão escritos, a partir de agora, sobre a história do Brasil no período pós-redemocratização. Por diversos motivos, esse foi o segundo turno mais disputado, mais polarizado e com mais elementos distintos de todos os outros nas últimas três décadas. Quer pelo antagonismo radical dos dois personagens, quer pela polarização mais intensa no País ou pelas pautas tão distintas que cada um escolheu para fazer campanha, as eleições deste ano nada tiveram de comum ou trivial.


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A diferença inferior a dois pontos percentuais a favor de Lula dá pistas de que não será tarefa fácil governar para os 215 milhões de brasileiros, notadamente os 58 milhões que tinham o atual presidente como opção. A favor do petista, a experiência de já ter conduzido o País e saber como lidar com as adversidades e com o conjunto de opositores que encontrará também no Congresso.


Assim como fez há exatos 20 anos, Lula elegeu uma pauta social e de combate forte às desigualdades e à fome em seu primeiro discurso, após ser proclamado vencedor. Conclamou a todos, aliados e oponentes, a construir uma agenda de conciliação e paz pelo bem do Brasil e de seu povo. Prometeu fazer “a roda da economia girar” e retomar a pauta diplomática com os países em que as relações foram rompidas ou estremecidas. Lula também assegurou que a agenda ambiental será prioridade em seu governo, e que o monitoramento severo da Amazônia será resgatado.


Não há como negar que essa agenda foi abandonada pelo atual governo, que flexibilizou a legislação e permitiu que “a boiada passasse” livre especialmente para madeireiras e garimpeiros. A manutenção da Amazônia não importa apenas para o Brasil, mas para todo o Planeta, e a falta de controle ambiental e o favorecimento ou leniência com queimadas e desmatamento vêm sendo visto com espanto e preocupação pela comunidade internacional.


Como amplamente disposto por especialistas e economistas, não será fácil ao novo presidente comandar as finanças do Brasil a partir de 2023. O buraco orçamentário no caixa do Tesouro Nacional é da ordem de R$ 721,9 bilhões, e o aumento do salário mínimo e das aposentadorias, como prometido, só intensificará o déficit. Recuar dessa proposta é frustrar os brasileiros, e Lula sabe disso.


A partir de hoje e até 31 de dezembro, espera-se do presidente Jair Bolsonaro e sua equipe sensatez e bom senso para fazer da transição um período de clareza, objetividade, transparência e correção. É hora de deixar de lado o discurso de ódio que pautou sua campanha em relação ao oponente, agora vitorioso. É hora de mostrar aos mais de 58 milhões de brasileiros que tinham o 22 como opção que, de fato, o Brasil está acima de tudo, ou seja, acima de vontades e vaidades próprias. É hora de Lula e Bolsonaro descerem do palanque. Pelo Brasil e pelos brasileiros.


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