[[legacy_image_284375]] A melhora da nota de avaliação de crédito do Brasil pela agência Fitch significa um avanço muito importante para a economia do País, mas também um recado de que os ajustes adotados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, precisam ter continuidade. Enquanto o arcabouço fiscal (substituto do teto de gastos) disciplina a gestão das despesas federais, a reforma tributária simplifica o pagamento de impostos pelos cidadãos e empresas. Por outro lado, a inflação foi domada por uma altíssima taxa de juros básicos, que deve começar a cair no próximo mês. Arcabouço e reforma são apenas sinalizações, pois ainda dependem de aprovação definitiva no Congresso, mas já há contexto positivo para que o País acelere seu crescimento. Essa recuperação fez a Fitch achar que o Brasil é candidato ao selo de bom pagador aos credores. Ser bem avaliado pelas agências de rating (além da Fitch há outras duas importantes, S&P e Moody’s) tem efeitos práticos, como atrair investimentos externos e estimular juros mais baixos nos empréstimos em geral. Na quarta-feira, a Fitch evoluiu a nota da dívida soberana (títulos emitidos pelo governo, pagando juros ao investidor) de BB- para BB, considerando que os papéis brasileiros ainda são especulativos, porém, sob uma perspectiva menos arriscada aos credores. No futuro, a expectativa é atrair grandes fundos conservadores, como os de pensão americanos, que apenas compram títulos com grau de investimento. Enquanto esse reconhecimento não vem, o Brasil atrai investidores que aceitam maior risco, mais especulativos, um dinheiro que tende a ficar por pouco tempo no País e exigir taxas altas, ao invés de darem prioridade à solidez de uma economia estável e de crescimento mais no longo prazo. Com a nota máxima, o Tesouro Nacional, pode emitir papéis sem ter que pagar juros mais elevados para atrair os compradores. Para se ter uma ideia do impacto da decisão da Fitch na imagem do Brasil, na quarta, o Credit Default Swap (CDS), que é o termômetro do risco-país, caiu para 167 pontos, o menor nível em dois anos, mas abaixo do México (104 pontos) e melhor que o da Turquia (429), que são os vizinhos do Brasil neste ranking. (O CDS na verdade é um investimento que oferece proteção contra calote e de cuja variação se levanta os pontos). Por trás do pragmatismo do governo no campo econômico está Haddad, com um política que não combina com o perfil estatista do PT. Além disso, o ministro tem outro desafio – obter resultados com o futuro arcabouço, cuja concepção exige aumento de arrecadação, uma incerteza se o País não crescer como se espera ou se a União tiver derrotas bilionárias no Supremo Tribunal Federal (STF). Há ainda riscos geopolíticos (impacto de guerras) ou uma recessão mundial, hoje menos provável, que podem retardar os próximos passos da economia brasileira. Entretanto, as perspectivas de sucesso são maiores do que as de fracasso.