[[legacy_image_86350]] Entre o fim de 2019 e começo de 2020, o Brasil contava com 94 milhões de trabalhadores no mercado. Agora, são quase 87 milhões. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) descobriu que a pandemia eliminou 7,7 milhões de vagas. Com esse impacto avassalador, por mais que a retomada da economia seja vigorosa, ainda haverá o peso negativo desse contingente retardando uma alta mais veloz do consumo e, consequentemente, dos investimentos do empresariado. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Para atenuar essa realidade, o governo precisa ser mais incisivo, mesclando políticas de emprego de alcance social, respeitando os limites de gastos sem aventuras de apelo eleitoral, com uma reforma tributária para reduzir a carga de impostos sobre os bens e a folha salarial. A Pnad Contínua é de extrema importância porque utiliza dados do trabalho formal (registro em carteira) e o informal. O estudo até foi criticado na última sexta-feira pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Se, na quinta-feira, sua pasta divulgou uma retomada do emprego com carteira, com 1,5 milhão de postos formais gerados no primeiro semestre, a Pnad Contínua, no dia seguinte trouxe uma fotografia ainda triste do momento, com 14,6% da força desempregada no trimestre, contado até maio. Segundo o ministro, o IBGE vive na “idade da pedra lascada”, uma crítica à metodologia da Pnad Contínua. A pesquisa do emprego formal é baseada na diferença entre admissões e demissões com carteira informadas mês a mês ao governo. Porém, não é possível desconsiderar o gigantesco mercado informal que sustenta tanta gente. O problema é que não se pode ignorar o atual desemprego (formal e informal) de 14,6%, um nível recorde que equivale a 14,795 milhões de brasileiros. Se forem somados os desalentados (aqueles que desistiram de procurar emprego) e os subocupados (os que trabalham menos do que gostariam), esse contingente de mão de obra parada e/ou precariamente empregada chegará a 32,9 milhões. Essa conta se compara à população total de Angola ou Malásia. Na prática, o IBGE considera que falta emprego para esses 32,9 milhões. É uma estatística que carrega sérios contornos sobre educação, saúde, segurança pública e moradia, observando que são áreas não plenamente atendidas pelo poder público. De acordo com os economistas, o mercado de trabalho passa por um fenômeno há muito conhecido. Nas grandes crises, os empregos são cortados em massa rapidamente, mas quando a economia se recupera, a contratação é lenta. Agora, deve-se considerar ainda que a tecnologia a custos mais baixos reduz a necessidade de mão de obra. Portanto, as taxas de desemprego elevadas devem persistir por algum tempo. Se a economia tiver um crescimento mais constante, os índices vão melhorar. É para isso que Guedes precisa trabalhar.