[[legacy_image_174358]] A participação do jovem na vida política de um país é sempre louvável, pois permite lidar com o processo democrático e a aquisição de consciência civilizatória desde o início da vida adulta. Por isso, deve ser comemorada a notícia de que a recente mobilização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), batizada de Campanha Jovem Eleitor, para estimular o registro de eleitores com idade entre 16 e 18 anos, surtiu efeito. Segundo consta, o Brasil ganhou 2.042.817 eleitores aptos a votar pela primeira vez entre os meses de janeiro e abril de 2022. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os dados divulgados pelo TSE, ainda em fase de apuração, mostram que o número de eleitores jovens cresceu 47,2% em relação ao mesmo período de 2018 e mais de 57% em comparação aos quatro primeiros meses de 2014. Nos últimos 31 dias, foram registrados 8.951.527 pedidos relativos ao título de eleitor, seja de forma presencial nos cartórios, pelo sistema Elo, ou de forma virtual, via Título Net. A adesão à mobilização, é preciso reconhecer, não foi fruto de um repentino despertar cívico. O movimento coincide com o apelo de artistas, políticos, influenciadores digitais e do próprio TSE para que os jovens obtivessem título de eleitor. Famosos se engajaram na solicitação, no movimento, a exemplo da cantora Anitta e do ator Leonardo Di Caprio, entre outros. E aqui não cabe analisar qual candidato ou qual partido sai ganhando com a iniciativa. A taxa de jovens cadastrados para ir às urnas contraria previsões de baixa representação por descrédito na política, descontentamento com campanhas polarizadas e até receio de cancelamento nas redes sociais. Especialistas avaliam que o engajamento dos jovens nos rumos políticos do País está mais ligado a objetivos práticos, como a vontade de melhorar de vida. Dados do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) mostram que 23% dos desempregados no País, no ano passado, eram jovens de 16 a 29 anos, quase um terço da população economicamente ativa. Além disso, números do Atlas da Juventude de 2021 indicam que as faixas etárias de 15 a 19 anos foram as que mais perderam renda entre 2014 e 2019. A queda na capacidade de consumo, nesse grupo, chega a ser sete vezes maior do que em outros. A participação dos jovens nos rumos políticos do País já teve momentos marcantes. Dois dos mais recentes foram os caras pintadas de 1992, que ajudaram a derrubar Fernando Collor, presidente envolvido em uma série de escândalos, e os protestos de 2013, que começaram bradando contra o aumento do preço das tarifas de ônibus e viraram anos depois o estopim para o impeachment da presidente Dilma Rousseff – aqui, não vai nenhuma referência àqueles que promoveram baderna e destruição no patrimônio público e em propriedades privadas, e sim a quem foi às ruas cobrar melhorias de maneira civilizada. Por isso, os candidatos à Presidência precisam estar atentos e cada vez mais conectados com essa parcela importante da população.