[[legacy_image_289495]] O reajuste de preços adotado ontem pela Petrobras, com aumento de 16,2% da gasolina e 26,8% do diesel, nas refinarias da estatal, surpreende os consumidores pelo acréscimo de dois dígitos. Haverá ainda impacto na inflação, estimado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de 0,40 ponto percentual nos próximos dois meses, pois os combustíveis integram os custos da maioria dos setores da economia. Apesar disso, analistas acham que apenas essa alta não será suficiente para reverter a acomodação do IPCA e a tendência de queda da Selic. Para sorte do Brasil, não há pressão externa da cotação do petróleo, estabilizada pela desaceleração chinesa. A exceção é o câmbio, pois o dólar voltou a subir devido à alta dos juros americanos, que atraem para lá os capitais estrangeiros hoje abrigados nos países emergentes. O acentuado reajuste dos combustíveis é altamente didático ao governo, esclarecendo que não há soluções mágicas ou alternativas para lidar com este setor. Como alertado por economistas, represar preços locais em relação aos externos têm impacto no segmento de derivados. Como o Brasil importa 30% do diesel e parte dessa demanda é atendida por importadores privados, eles não vão vendê-lo aqui dentro a um preço abaixo do internacional, o que é óbvio. A Petrobras poderia suprir essa parte, mas também significaria transferir o prejuízo para a estatal, consumindo fatia da receita com extração de petróleo no pré-sal. Isso não tem sentido porque a petrolífera precisa de recursos para realizar investimentos gigantescos, inclusive novas refinarias ou adaptações nas atuais para fornecer o diesel internamente. Não é uma tarefa simples. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o País tem demanda de 2,4 milhões de barris por dia de derivados, sendo 400 mil importados. Aliás, mesmo se a estatal decidir expandir o refino, isso levará tempo e os importadores, no curto e médio prazos, não poderão ser inviabilizados. Houve ainda nos últimos dias informações de dificuldades com a oferta de diesel, que parece ser vista como pontual e não como crise, mas é bom ficar atento. Apesar de toda a pressão sobre a estatal, que vem do lado da política devido ao aperto no bolso do consumidor, com reflexos eleitorais, a Petrobras passa por um momento excepcional, de expansão contínua de sua receita com o pré-sal. Para surpresa dos mais velhos, que vivenciaram a crise do petróleo no País, com o governo sem saber se teria dólares suficientes para importar o produto, a commodity já é a segunda mais exportada na balança comercial e os lucros da empresa são crescentes. Por isso, se tem um bom problema e ele está concentrado na baixa capacidade interna de produzir diesel. O certo seria o governo elaborar um plano de longo prazo para esse combustível e não deixar apenas como meta de estatal, porque a empresa precisa seguir regras do mercado para manter suas contas saudáveis.