[[legacy_image_218916]] A estabilidade é o que importa para o Brasil neste momento, seja no aspecto político, como o da acomodação dos apoios e da oposição à eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da própria tranquilidade que o petista vai precisar para compor seu ministério, seja no âmbito econômico. Aguarda-se que logo o ministro da Economia prepare uma equipe para a transição, abastecendo seu futuro substituto com números para que a máquina pública, as empresas e os cidadãos continuem, em seus respectivos segmentos, trabalhando sem solavancos que o mercado costuma dar nas horas de incerteza ou indecisão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O mais importante é que uma vez anunciado o resultado apertadíssimo das eleições, as instituições se mostraram sólidas, cada uma seguindo com o seu papel. Há a tristeza da derrota e o discurso da promessa de uma oposição implacável, o que é parte da democracia. Os discursos dos presidentes das casas do Congresso – Arthur Lira (PP-AL), da Câmara, e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do Senado –, logo após o anúncio da vitória de Lula, vieram na hora certa e no tom que o País precisa, de que é preciso acalmar os ânimos e “desarmar os espíritos”, segundo afirmação de Lira, aliado de Bolsonaro. O próprio Lula, em seu discurso, foi por esse caminho, o de evitar a guerra política. Com os pés no chão, é esperado que a disputa acirrada permaneça, até porque o grupo aliado ao presidente Jair Bolsonaro, apesar da derrota na disputa pelo Palácio do Planalto e da baixa votação no Nordeste, se consolidou no Sul e avançou de forma muito clara em São Paulo, com uma votação surpreendente no Interior - na Capital, o petista foi mais votado no pleito para presidente. Porém, a conquista de governos estaduais indica que ambos os lados terão que conversar em um ambiente de estabilidade. No lado econômico, a agitação do mercado financeiro é previsível. Cabe ao presidente eleito indicar logo sua equipe econômica para que se saiba se haverá muito dirigismo estatal ou metas específicas para as estatais, lembrando que a legislação atual impõe regras, como a nomeação de executivos experientes para as companhias. A dúvida, entretanto, é se haverá austeridade fiscal e principalmente se será implantado um substituto ao teto de gastos, que limita a despesa pública de um ano com base na inflação. Esse sistema já está desmoralizado, mas é preciso manter algum referencial para disciplinar as contas do Governo, que no próximo ano estarão incrivelmente pressionadas pelas promessas de campanha. Quanto mais a máquina estatal gasta, mais juros serão oferecidos ao setor privado para sustentá-la - e isso é dinheiro que sai da economia, gerando menos emprego e consumo. Um Congresso mais liberal e conservador pode até ser útil ao novo governo no caso de realizar uma reforma tributária, ficando a dúvida do que o Palácio do Planalto sob Lula vai almejar, pois pouco foi exposto sobre isso na campanha.