Pesquisas divulgadas na semana passada indicam uma economia brasileira em recuperação acima do esperado, apesar dos ventos contrários que ainda poderão atingir o País nos próximos meses. Uma reversão de indicadores antes totalmente negativos é muito importante para gerar confiança nas empresas e consumidores daqui para frente, admitindo-se que o momento não é dos melhores. As dificuldades estão aí, mas as oportunidades começam a despontar no mercado. A eleição traz dúvidas e suspense aos investidores ou mesmo ao cidadão comum, porém, o desfecho sairá logo. O que se espera é que a redução de impostos seja mantida e até aprimorada por meio de uma reforma no próximo ano. A expectativa é de que os benefícios sociais continuem em 2023 e, combinados com uma inflação mais baixa, sustentem o crescimento do comércio e dos serviços, hoje as principais fontes de expansão do emprego. [[legacy_image_208125]] Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A sensação da população ainda é de uma crise muito forte, pois a inflação persiste nos supermercados, mas, por enquanto, não há uma recessão no radar tal como no Hemisfério Norte. Por outro lado, as pesquisas ainda são conflitantes. Na semana passada, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 1,17% em julho, na comparação com junho, bem acima da previsão do mercado, de 0,6% (o próprio PIB do segundo trimestre já tinha superado as expectativas). No lado oposto, as vendas do comércio caíram 0,8% também em julho sobre junho, a terceira queda seguida. A explicação dos economistas é de que o varejo sofre com os juros altos, pois o segmento de produtos mais caros, como eletroeletrônicos, linha branca, móveis e veículos, vendidos a prazo, tem uma demanda menor nas crises. Além disso, o desemprego precisa cair mais e a população deve reduzir suas dívidas para consumir com mais força. Entretanto, as commodities, valorizadas no primeiro semestre, geraram muita renda a uma parte da economia, assim como a reabertura dos serviços, principalmente o turismo. As medidas de estímulo, como a liberação de parte do FGTS e a antecipação do 13º da Previdência, tiveram efeitos positivos. Os economistas alertam que parte das medidas que reaqueceram a economia não se repetirão deste ano para o próximo. É o caso da redução de impostos, que deve parar de causar deflação a partir do próximo mês. Também não se sabe se os governos terão fôlego para manter o arsenal de benefícios sociais ou mesmo cumprir suas promessas eleitorais generosas. Por último, é esperado algum impacto da provável recessão dos países ricos e do crescimento mais lento da China sobre as exportações brasileiras. Mas o importante é que um contexto negativo seja superado e pelo menos se configure uma expansão econômica no Brasil, mesmo que moderada, de forma estável.