[[legacy_image_190936]] O conceito foi lançado há mais de 30 anos e ganhou força em 1992, na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Rio-92. Fato é que só agora, três décadas depois, o termo desenvolvimento sustentável parece dominar a cena em um dos principais ambientes, capaz de efetivar as medidas necessárias para legitimar sua definição: o setor produtivo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quer pela consciência de que os recursos naturais são finitos, quer pelo movimento crescente do consumo consciente, quer pelas métricas cada vez mais apuradas para estabelecer rankings e dar visibilidade aos primeiros e últimos colocados nos quesitos de sustentabilidade, o universo corporativo tem realizado um movimento que dá foco a ações que mitiguem o impacto ambiental e social de suas próprias atividades. Entre os governos, esse movimento também é sentido, e já não basta criar e implantar políticas públicas que prevejam metas e formas de implantá-las, com objetivos a serem cumpridos por empresas e entidades. É preciso aferir a eficiência dessas políticas de forma prática, em que cada política tenha condição de ser avaliada de tempos em tempos, com os impactos causados na sociedade e no ambiente. Está correto ser assim. É com base nesse movimento que Santos foi bem avaliada pelo Instituto Cidades Sustentáveis, e obteve o 16º lugar no ranking que avalia indicadores sociais, econômicos e ambientais de todos os municípios brasileiros. De fato, iniciativas assertivas e bem fundamentadas têm sido colocadas em prática, especialmente quanto à criação de comitê para mudanças climáticas, ações educativas e abrangentes em relação à importância dos oceanos para o futuro das cidades, capacitação de crianças e jovens sobre essa temática em áreas de vulnerabilidade, e programas perenes junto às escolas. A receita adequada para ir além de políticas públicas que não saem do papel. Mas o desafio é grande e está apenas começando. Na semana passada, estudo inédito apresentado em conferência da ONU, em Portugal, revelou quais são as cidades brasileiras que mais lançam lixo plástico no oceano. Santos e Praia Grande figuram entre as 17 apontadas no levantamento feito pelo Instituto Oceanográfico da USP. É sabido que 33% do plástico usado no Brasil tem grande chance de ir para no oceano, e 67% desse material vai parar no mar pelos rios. É preciso destacar que, também nesse campo, a cidade de Santos tem desenvolvido ações inovadoras e replicáveis para identificar as fontes poluidoras e combatê-las na origem, mas reverter os números exige a adesão permanente de todos: escolas, universidades, legislativo, empresas e, principalmente, a fiscalização e conscientização do próprio munícipe. Se levou quase três décadas para que o termo ‘sustentabilidade’ ganhasse projeção e relevância, não haverá outros 30 anos para esperar que toda a sociedade entenda qual é sua parte nessa caminhada.