(Reprodução/TV Globo) Robert Francis Prevost é o novo papa - e sua escolha aponta para um novo capítulo na história da Igreja Católica. Com a eleição do cardeal norte-americano, que adotou o nome Leão 14, a instituição milenar acena para o futuro, indicando que a trajetória de abertura promovida por Francisco nos últimos 12 anos não deve ser interrompida pelo Vaticano. Trata-se de uma escolha carregada de significado e expectativa. Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, em Chicago, e o mais novo da história da Igreja Católica nos últimos 35 anos, Prevost também possui cidadania peruana, fruto de sua longa atuação missionária na América Latina. Viveu de perto os desafios sociais e espirituais da região, o que lhe confere experiência prática e sensibilidade pastoral. Sua eleição após apenas quatro escrutínios revela uma sólida convergência entre os cardeais e o desejo de continuidade na condução da Igreja. Prevost é o primeiro papa pertencente à Ordem de Santo Agostinho, que valoriza a espiritualidade interior e a busca pelo conhecimento como forma de serviço. Com formação em Matemática, Teologia e Direito Canônico, reúne solidez intelectual e compromisso social. Essa combinação o credenciou, nos últimos anos, a ganhar a confiança de Francisco, que o nomeou prefeito do Dicastério para os Bispos do Vaticano e o trouxe para o centro do governo da Igreja Católica, onde ocupou posição de extrema relevância. Sua escolha parece ser, portanto, um sinal de que a agenda reformista não será revertida. Ao afirmar, logo após a morte de Francisco, que “a Igreja não pode retroceder”, Leão 14 deixou evidente seu alinhamento com uma Igreja mais aberta, próxima dos marginalizados, disposta ao diálogo e à escuta do mundo contemporâneo. O novo papa assume em um cenário global desafiador: crise ambiental, autoritarismo crescente, deslocamentos forçados, desigualdade, avanço da tecnologia de forma desmedida. Embora ainda seja cedo para certezas sobre a postura do novo papa frente às questões mais sensíveis da atualidade, sua trajetória parece apontar para o caminho do diálogo e da busca pela conciliação, mas sem desconsiderar, como disse, que “o mundo mudou e a igreja precisa acompanhar as mudanças”. Sua experiência internacional e a ligação profunda com a América Latina podem dar novo fôlego à missão de tornar a Igreja mais global, menos eurocêntrica, mais conectada às realidades dos povos. Ao surgir na sacada da Basílica de São Pedro e abençoar o Vaticano e o mundo, o novo papa não apenas iniciou um pontificado: reafirmou o compromisso de caminhar com os fiéis e não acima deles. Que sua bênção da sacada, urbi et orbi (à cidade e ao mundo), reforce os conceitos de busca pela paz em um universo tão desafiador.