[[legacy_image_273861]] Ganhou espaço na mídia, nas últimas semanas, e particularmente nos veículos de comunicação dedicados a assuntos ligados à saúde, um tema que já não é novo, mas cujos prejuízos seguem preocupando autoridades e profissionais da área: a obesidade. Dados do Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 60% dos adultos brasileiros já têm excesso de peso, o que representa cerca de 96 milhões de pessoas, e um em cada quatro é considerado obeso, um total superior a 41 milhões de pessoas. Além disso, a obesidade infantil também é um problema crescente, afetando 15% das crianças brasileiras. As causas da obesidade são complexas e multifatoriais, e especialistas apontam que a pandemia de covid-19, intensificou o problema, na medida em que parte das questões relacionadas à alimentação tem fator emocional envolvido, e parte considerável diz respeito à qualidade nutricional do que se come. Para além da estética e dos conceitos de beleza, a obesidade é um fator de risco importante para as doenças cardiovasculares, que são as principais causas de morte no mundo todo. Os dados e a curva ascendente de pessoas afetadas pela doença já justificam inserir a obesidade entre os problemas de saúde pública, com consequências que afetam não só a qualidade de vida, como a demanda maior de recursos para combater suas consequências, entre elas, as doenças cardiovasculares e motoras, diabetes, entre outras. Além disso, há os custos sociais, basicamente relacionados ao mercado de trabalho, perda de produtividade, mortalidade precoce e dificuldade de interações sociais. Colocados na ponta do lápis, os custos relacionados à obesidade já são suficientes para desencadear, de imediato, uma campanha nacional sobre o tema, que envolva as escolas públicas e privadas, órgãos públicos de estados e municípios, e o setor empresarial, por meio da intensificação de programas internos que conscientizem sobre a doença, formas de prevenir e tratar. A campanha na mídia deve ser permanente, com peças publicitárias em todas as plataformas, a exemplo do que já ocorre com outros temas, como vacinação e tabagismo, apenas para citar algumas. A campanha focaria não apenas a prevenção, como também a identificação de casos em que a obesidade já é a causa de outros males presentes, e nem sempre associados a ela. Importante destacar que, nas camadas mais pobres, manter alimentação equilibrada, com todo o leque de produtos que auxiliam a saúde integrativa, não é tarefa fácil nem barata. Em geral, a ingestão de alimentos mais baratos – e inadequados – é a tônica das famílias que não têm acesso ao conjunto de alimentos que dão equilíbrio à alimentação saudável. O tema é considerado crônico e preocupa a comunidade médica brasileira e internacional. Assim, como qualquer ação destinada a atingir todo o conjunto da sociedade, demandará recursos financeiros e humanos, motivo pelo qual não há mais tempo a perder.