(Rovena Rosa/Agência Brasil) A importante operação policial, conduzida na terça-feira para combater a atuação de organizações criminosas no Centro de São Paulo, identificou uma revelou a existência de uma milícia que vendia proteção a comerciantes, segundo o Ministério Público do Estado. Cinco integrantes, entre policiais militares e guardas municipais foram presos, entre outros alvos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Questionado sobre a apuração do envolvimento de agentes da corporação municipal, o prefeito da Capital, Ricardo Nunes (MDB), disse que “desconhece milícia atuando na cidade” e que não serão de “um, dois , três, quatro ou cinco” que vão manchar “a reputação da Guarda Civil Metropolitana”. O avanço desse tipo de organização, que se alastrou pelo Rio de Janeiro e atingiu dimensão difícil de ser combatida, precisa ser seriamente enfrentada pelas autoridades. No Rio, as milícias, cujos especialistas dizem que surgiram para enfrentar bandidos e oferecer proteção, hoje achacam a população dos bairros periféricos, controlam serviços de gás e de pirataria, como televisão, e disputam espaço com traficantes na venda de drogas. Com o registro da milícia no Centro paulistano, a preocupação aumenta mais ainda porque a criminalidade avança em cidades médias e grandes, e muitas vezes nas pequenas, por meio de facções, que não são uma novidade, mas que nos últimos anos se espalharam rapidamente pelo mundo com a ajuda de aplicativos de mensagens e facilidade digital para movimentar dinheiro. Por isso, não se deve minimizar o que as investigações apontam, aproveitando as evidências para manter contínuas operações contra as variadas modalidades que dão eficiência ao crime. No caso da operação no Centro de São Paulo, que contou com 1,3 mil agentes de corporações policiais do Estado e Federal, além da Receita, Prefeitura de São Paulo e MP do Trabalho, o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco, do MP) diz que a iniciativa mirou um “ecossistema criminoso” controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Aliás, apontado como chefe do PCC no Centro paulistana, Leonardo Monteiro Moja, o Leo do Moinho, foi preso em Praia Grande, onde residia. Para entender a proporção da operação, batizada de Salus et Dignitas (Segurança e Dignidade), e da criminalidade que ela combate, a Justiça decretou sequestro de hotéis, cortiços e hospedarias, estacionamentos, ferros-velhos e lojas e a interdição de 44 imóveis (fechados com cimento). Esses estabelecimentos foram associados pela investigação à venda de peças de veículos e receptação de armas e celulares, além de rede de prostituição e pagamento de usuários com pedras de crack e cachaça. Segundo o Gaeco, as diferentes atividades ilícitas se conectavam e se retroalimentavam. As autoridades agiram de forma exemplar, mas é preciso que ações como essa se repitam para impedir que esses criminosos se reorganizem e se espalhem por outras regiões da Capital ou do Estado.