[[legacy_image_106024]] Tramita no Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), sem ainda ter sido apreciado, pedido de tombamento do ginásio e das piscinas do Clube Atlético Santista. A agremiação completou 108 anos este mês, e passou por diversos endereços antes de adquirir e montar, em 1948, sua sede própria, na esquina da Avenida Washington Luiz com Rua Carvalho de Mendonça. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O órgão técnico de apoio do conselho recomendou o tombamento do ginásio suspenso, que tem características modernistas e uma estrutura inovadora para a época. Recomendou, ainda, a proteção da quadra coberta de saibro para tamboréu, inaugurada em 1971 e considerada a primeira do gênero em Santos. Para o órgão técnico, as piscinas não têm relevância histórica, mas caberá ao Condepasa a análise do pedido como um todo e, à Secretaria de Cultura de Santos, o tombamento ou não. O Atlético Santista vem perdendo relevância enquanto clube desde 1990, junto com outras tantas agremiações da Cidade, em um processo desencadeado pela chegada de condomínios mais completos em áreas de lazer e esportes, e também em decorrência da mudança de hábitos individuais e das famílias. Esse movimento também se fez sentir em outros municípios. Em uma cidade com 475 anos, não é nada raro encontrar imóveis centenários. É justo e legítimo preservar o patrimônio e, mais que isso, dar a esses bens novos usos, requalificá-los para que continuem vivos e presentes no cotidiano das novas gerações. Esse movimento, porém, precisa estar em sintonia com as demandas da Cidade em um mundo em constante transformação. Faz pelo menos duas décadas que a área do clube vem se deteriorando sem que nenhum movimento de resgate tenha saído do papel. Além disso, tombar ginásio e piscinas é praticamente inviabilizar todo aquele espaço para outros usos. Em outras palavras: é manter o status quo de degradação e até ampliar esse cenário, afastando quem queira dar àquele nobre terreno um uso adequado, quem sabe até com a construção de nova sede em espaço menor e em sintonia com a realidade do quadro associativo. Não se está aqui defendendo a derrocada do patrimônio histórico, posto que preservar bens de relevância arquitetônica e artística é, também, uma forma de promover o turismo e elevar a consciência sobre o passado que trouxe a Cidade até aqui. Porém, sob o guarda-chuva desse argumento excessos também têm sido cometidos, engessando por demais áreas que acabam ficando fora da necessária renovação urbana. Tombamentos e gravação de imóveis com níveis de proteção precisam ser processos muito bem estudados, que conversem não só com o passado histórico, mas também com o futuro que se quer para a Cidade. Tombar o clube do Canal 3 parece dialogar com outro canal: o que perpetua a degradação e a decadência urbana.