Entrava em circulação, há exatos 30 anos, a atual moeda do País, o real. (Claudio Vitor Vaz/Arquivo AT/Expresso) Depois de quatro moedas e seis planos econômicos fracassados, entre 1986 e 1994, na luta contra a inflação, entrava em circulação, há exatos 30 anos, a atual moeda do País, o real. Para entender o tamanho da empreitada, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que no acumulado dos últimos 12 meses atingiu 3,93%, em 1993 havia chegado a 2.477%. Na época, os fatores das dificuldades econômicas eram os gastos públicos, o câmbio e os epidêmicos aumentos de preços, pontos que curiosamente atormentam agora o Governo Lula. Mas em uma dimensão muito menor, porque o Plano Real domou uma hiperinflação e durante os dois primeiros mandatos de Lula o Brasil inflou suas reservas internacionais, encerrando as crises sucessivas da dívida externa. Portanto, convém aproveitar a experiência dos difíceis anos 1990. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No nascedouro do Plano Real, o Brasil vinha de inúmeras crises, principalmente externas, com a falta de dólares para honrar elevadas importações de petróleo, pois o País não era um exportador de commodities como hoje. O contexto político da época tem íntima relação com a origem do Plano Real. Depois das fracassadas moedas desde o anos 1980 até o impeachment de Fernando Collor de Melo, Itamar Franco assumiu a presidência em 1992 e chamou Fernando Henrique Cardoso para o Ministério da Fazenda para enfrentar a inflação. Sociólogo, FHC montou uma equipe eficiente de economistas, como Pérsio Arida, Edmar Bacha, Gustavo Franco, André Lara Rezende, e outros. Antes da estreia do real, houve um ajuste fiscal, mostrando que a história econômica se repete. A equipe de FHC fez cortes, aumentou a arrecadação e desvinculou receitas e despesas (verbas carimbadas). Em 1º de março de 1994 foi criada a Unidade Referencial de Valor (URV), um índice corrigido diariamente que começou em CR\$ 647,50 (a expectativa era que o valor dos produtos em URV não mudasse). Em 1º de julho, a CR\$ 2.750, a URV virou R\$ 1,00. O câmbio foi congelado de R\$ 1 para US\$ 1 (depois foram adotadas as bandas cambiais). Começava um período de crescimento devido à estabilidade dos preços – em 1994, de janeiro a junho, a inflação superava os 40% por mês, mas em julho caiu a 6,84% e nos meses seguintes foi abaixo de 3%, e nos próximos anos, inferior a 1% mensal. Atacado pelo PT, um grande erro político, o Plano Real teve dificuldades, mas conseguiu debelar a hiperinflação. Até hoje o PT resiste em aceitar a importância de cortar gastos públicos como forma de segurar os juros. Lula, em seu primeiro mandato, assumiu compromisso com a austeridade, rompendo a desconfiança do mercado – em 10 de outubro de 2002, perto da vitória do petista, o dólar disparou para R\$ 3,99. Se a lição das contas públicas tivesse sido resolvida ao longo das duas últimas décadas, o Brasil estaria hoje mais preparado para enfrentar o impacto externo dos juros altos nos EUA.