[[legacy_image_346879]] O conflito Israel x Hamas, que se arrasta por quase seis meses sem perspectiva de solução, teve na segunda-feira (1º) mais um triste episódio. Um ataque aéreo israelense destruiu a seção consular da embaixada do Irã na Síria, matando pelo menos sete pessoas, entre eles um alto conselheiro militar iraniano, informou a mídia estatal síria. As vítimas faziam parte da ONG World Central Kitchen (WCK), que desde o início da guerra leva mantimentos até Gaza. O episódio foi tão grave que o próprio Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, reconheceu o mal-estar. “Infelizmente, houve um caso trágico em que as nossas forças atingiram involuntariamente pessoas inocentes na Faixa de Gaza. Acontece em guerras, e estamos verificando até o fim, estamos em contato com os governos, e tudo faremos para que isso não aconteça novamente”, declarou. A World Central Kitchen é uma das ONGs mais atuantes em Gaza. Há duas semanas, enviou o primeiro navio com ajuda humanitária ao território, em uma parceria com outra ONG, a Open Arms, que resgata migrantes naufragados no Mar Mediterrâneo. Diante do ocorrido, a WCK anunciou a interrupção das operações na região. Segundo a ONG, entre os mortos há três cidadãos do Reino Unido, um da Austrália, um dos Estados Unidos, um da Polônia e um palestino. Questões políticas e religiosas à parte, cabe ressaltar que a mais recente escalada de violência na região foi iniciada pelo Hamas, grupo defensor da causa palestina. Por isso, Israel tem o direito de se defender, ainda mais porque o grupo terrorista insiste em manter cerca de 130 reféns, sem contar as mais de mil mortes que provocou em seu ataque inicial. Contudo, a resposta de Israel provoca polêmica. Não por acaso, o apoio à empreitada israelense perde força após mais de 32 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Até os Estados Unidos, parceiros de primeira hora de Israel, vêm condenando o que ocorre por lá. Na semana passada, o presidente norte-americano, Joe Biden, lamentou os “bombardeios indiscriminados” sobre Gaza. Se no exterior o desgaste de Benjamin Netanyahu aumenta, dentro de casa a situação não é menos delicada. No último domingo, dezenas de milhares de israelenses se reuniram em frente ao Parlamento de Jerusalém, na maior manifestação contra o governo desde que o país entrou em guerra contra o Hamas. Os manifestantes pedem para que o governo entre em um acordo para libertar os reféns detidos em Gaza e que realize eleições antecipadas. A multidão se estendeu por quarteirões e também clamavam ao governo para cancelar o próximo recesso parlamentar e realizar novas eleições, quase dois anos antes do previsto. Netanyahu prometeu destruir o Hamas e trazer todos os reféns para casa. Contudo, embora o Hamas tenha sofrido baixas significativas, permanece ativo e as famílias dos reféns acreditam que o tempo está se esgotando.