Excesso de telas é apontado como principal causa de internações por estresse e ansiedade de crianças e jovens (Freepik) O número de internações relacionadas a estresse e ansiedade em adolescentes e jovens de 13 a 29 anos cresceu 136% entre 2013 e 2023, índice que corresponde, em números absolutos, a um salto de 690 para 1.629 casos em uma década. Os dados são do Ministério da Saúde e certamente não correspondem à totalidade dos casos, já que estão aí contabilizados apenas os atendimentos em unidades públicas de saúde. As internações acontecem apenas em situações graves, como surtos psicóticos, tendência a ferir outras pessoas ou tentativas de suicídio. Os números só reforçam um quadro que já vem sendo debatido em setores que lidam com o público mais jovem, como universidades, planos de saúde e até as escolas de educação básica, especialmente após a pandemia, quando a saúde mental ficou fortemente comprometida em todas as faixas etárias e, especialmente, crianças e jovens. A análise de especialistas indica várias possíveis causas para o crescimento de casos crônicos de saúde mental, culminando com a internação, mas, um dos principais responsáveis é o excesso de telas e de tempo em redes sociais, onde o ambiente nem sempre é amistoso para mentes em formação. Em 2022, o professor universitário e psicólogo santista Wagner Tedesco concluiu sua dissertação de mestrado Internet, mídias sociais e tecnologias, um estudo sobre motivação, ansiedade e depressão, focando justamente no público jovem que chega à universidade com sintomas visíveis de ansiedade e depressão. Depois de entrevistar 100 jovens ingressantes no Ensino Superior, Tedesco identificou, pela própria fala dos jovens, que a internet e, especialmente, as redes sociais, eram as responsáveis pelos sintomas. As mesmas causas são apontadas pelos técnicos do Ministério da Saúde para o aumento dos casos de internação, consequência direta da falta de acompanhamento mais próximo quando o quadro se manifesta. A saúde mental é parte indissociável da saúde integrativa, que analisa o ser humano a partir de todas as abordagens, e não apenas do aspecto físico. Se já há evidências claras e comprovadas de que, no público mais jovem, o comprometimento se dá pelo excesso de telas, caminhos efetivos precisam ser adotados. A exposição constante a conteúdos que idealizam padrões de vida irreais, a pressão por validação nas redes e a comparação contínua podem gerar sentimentos de inadequação, solidão e baixa autoestima. É fundamental que pais e educadores se envolvam ativamente no monitoramento do uso das tecnologias, promovendo um equilíbrio entre o mundo digital e experiências reais. Incentivar outras atividades e manter diálogo aberto sobre emoções são passos essenciais. Além disso, identificar os primeiros sinais de desequilíbrio é fundamental para dar o devido encaminhamento e evitar o agravamento dos casos. Cuidar da saúde mental é garantir um futuro mais saudável e resiliente para nossos jovens.