Mobilidade urbana na região deve incluir interligação entre modais e política tarifária adequada ao transporte de massa (Vanessa Rodrigues/ AT) Com as obras da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entrando na reta final, e previsão de entrar em funcionamento no próximo semestre, é hora de voltar as atenções para a ampliação da malha e execução da terceira fase, em São Vicente. A expansão do VLT, que promete transformar a maneira como moradores se deslocam entre cidades da região, reforça a importância de pensar em um transporte de massa eficiente e sustentável. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas se desloquem diariamente entre as cidades da Baixada Santista, em trajetos que conectam Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá e Cubatão. Esse volume expressivo de passageiros, sem contar os turistas que transitam pela região em alta temporada, demonstra a necessidade urgente de uma infraestrutura de transporte de massa robusta e interconectada, capaz de atender à demanda e evitar o colapso da mobilidade urbana. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Baixada Santista sofre há décadas com problemas de mobilidade. As cidades que compõem o Litoral paulista estão cada vez mais conectadas em suas dinâmicas econômicas e sociais, mas essa integração não se reflete na eficiência do transporte público. O VLT surge como uma solução moderna, mas ainda fragmentada, que pode ser o fio condutor de uma rede interligada, capaz de desafogar o trânsito e garantir deslocamentos rápidos e sustentáveis para a população. A expansão do VLT, isoladamente, não resolve o problema. O sucesso deste projeto depende de sua integração com outros modais, como ônibus, ciclovias, e até mesmo o transporte marítimo, com as barcas que ligam Santos ao Guarujá. O conceito de intermodalidade é fundamental para que o transporte coletivo se torne uma escolha atrativa frente ao uso do carro particular, que ainda domina as ruas da região e contribui para congestionamentos e aumento da poluição. Em Santos, há 220 mil carros circulando para uma população de 418 mil habitantes, o que indica a presença de um carro para cada duas pessoas. Um plano metropolitano de mobilidade, coordenado entre as prefeituras da Baixada Santista e o Governo do Estado, se faz urgente. Esse plano deve priorizar a criação de corredores de ônibus que conectem os bairros mais afastados às estações do VLT, além de garantir ciclovias seguras e bem distribuídas que incentivem o uso da bicicleta para curtas distâncias. A conectividade entre os modais deve ser apoiada por uma política tarifária unificada, que permita ao usuário transitar livremente entre ônibus, VLT e barcas, pagando uma tarifa justa e acessível. Nesse contexto, a terceira fase do VLT deve ser agilizada e priorizada, porque mais de 150 mil moradores da área continental de São Vicente podem se beneficiar dessa interligação entre os modais. Somente com um plano que contemple as reais necessidades da população e tenha visão de longo prazo será possível oferecer uma alternativa viável ao transporte particular, garantindo mobilidade digna para todos os moradores da região.