(Vanessa Rodrigues/ AT) Não é particularidade de Santos ter uma região central, histórica e tradicional, esvaziada em grande parte de suas quadras. Uma rápida caminhada por uma de suas principais vias, a Rua General Câmara, que começa na área portuária e termina na Praça Rui Barbosa, é suficiente para se observar o volume de imóveis desocupados, alguns em péssima condição de conservação. O mesmo se observa na área central da Capital, que experimentou nas últimas décadas um processo de esvaziamento. A migração de atividades comerciais e residenciais para outras regiões da cidade, aliada à falta de políticas públicas eficazes, resultou na degradação de áreas que antes eram o coração pulsante da metrópole. Edifícios icônicos, que representam o auge da arquitetura e da cultura paulistana, estão agora sob o risco de deterioração e abandono. Muitas iniciativas vêm sendo adotadas com sucesso, uma delas no Rio de Janeiro, que nos últimos 15 anos vem colhendo os frutos de um processo de recuperação e reocupação de seu centro, com atração de moradores, atividades econômicas, culturais e artísticas. Santos caminha nesse sentido e é preciso reconhecer que alguns passos efetivos já foram dados, como a implantação do projeto Porto Valongo, cujo potencial de exploração ainda está longe da plenitude, mas é uma aposta acertada. Outras iniciativas vêm do setor privado, como a restauração de imóveis para fins comerciais, como o antigo casarão no cruzamento das ruas Senador Dantas e General Câmara, e o mais recente, na esquina das ruas Sete de Setembro e Constituição, onde foi instalada a Casa das Culturas de Santos, que já atrai bom público ligado às artes. O Poder Público pode e deve dar o exemplo, fazendo voltar a essa região, sempre que possível, seus escritórios e repartições hoje espalhados pela Cidade. Nesse campo, surge como positiva a intenção da Autoridade Portuária de Santos de transferir suas atividades da atual sede, na Avenida Rodrigues Alves, para o Centro. O desejo é ocupar o prédio da Alfândega, na Praça da República, mas, ao que tudo indica, não há intenção da Receita Federal em promover a mudança, sob a alegação de que o prédio está plenamente ocupado. Ainda que essa ação para o imóvel da Alfândega não ocorra, a Autoridade Portuária de Santos não deveria tirar do radar a proposta de se transferir para a região central. A vinda de até mil funcionários da APS para essa região movimentaria o comércio, restaurantes e bares, provocando até o surgimento de novos serviços e o eventual interesse em moradia. Imóveis antes corporativos já vêm passando pelo processo de retrofit, como a antiga sede do Ministério Público do Trabalho, na Praça José Bonifácio, hoje transformado em prédio residencial. A reocupação da área central deve estar no topo das prioridades do Poder Público, especialmente municipal. Infraestrutura existe e certamente está subutilizada.