(Pixabay) Voltado a mais de 180 países com alíquotas que vão de 10% a 104%, o tarifaço anunciado por Donald Trump na semana passada continua monopolizando os debates econômicos pelo mundo. A reação, na maioria dos casos, é negativa. Economistas e líderes políticos reconhecem que as perspectivas para o comércio exterior daqui por diante não são boas, dada a grandeza dos Estados Unidos, a locomotiva da economia mundial, e sua capacidade de, direta ou indiretamente, interferir nos rumos do planeta. Alguns, em especial a China, demonstram que vão agir na base do olho por olho, dente por dente. O Brasil, por sua vez, escolheu o caminho da moderação, o que parece ser a melhor saída. Antes do anúncio dos percentuais para cada país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedia serenidade e falava em reciprocidade, sem abrir mão da abertura para negociação. Revelado o tamanho do problema para cada nação, Lula manteve o tom diplomático acrescido de uma firmeza que se fazia necessária. “Ninguém brinca que o mundo não existe com quase 200 países. Ninguém esquece que todos os países querem ter soberania e querem estabelecer um processo de harmonia”, declarou. Segundo o petista, apesar de inevitáveis perdas a serem contabilizadas, especialmente no setor siderúrgico brasileiro, não há razão para desespero, pois seu governo foi capaz de pagar uma dívida externa de US\$ 30 bilhões e ainda deixar uma reserva de US\$ 370 bilhões, que serviria para dar tranquilidade, em caso de crises no mercado financeiro, à equipe econômica. O mercado financeiro é uma espécie de termômetro, e quando há queda de ações em várias partes do mundo fica evidente que uma recessão está a caminho. No ritmo que a coisa vai, a tendência é a atividade comercial cair e as empresas terem lucros menores ou mesmo prejuízos. Nessa esteira perversa também corre o desemprego, sempre um fator de desequilíbrio social e político. O que se imaginava quando da eleição de Donald Trump e dos suas metas para a economia era que ele tivesse um plano com tarifas recíprocas abrindo caminho para a negociação. Mas não foi isso o que aconteceu. Houve uma tarifação quase aleatória, sem métrica nem planejamento, atingindo todos os setores da mesma forma. Ficou claro que Trump não tem um plano. A ideia é criar uma crise de proporções impensáveis para obter ganhos pontuais e, claro, manter a pose de todo-poderoso. Sob comando de Trump, os EUA jogam pesado para reequilibrar a balança comercial. Contudo, é preciso considerar que, na condição de líderes históricos da economia mundial, os norte-americanos vão sempre estar mais propensos a comprar do que vender. Além disso, com os processos produtivos impulsionados por uma globalização sem volta, fica difícil imaginar que o protecionismo radical vá gerar bons resultados. Ou então, que o esforço para fazer a “América grande de novo” não vá deixar milhares de vítimas pelo caminho.