(AdobeStock) O Mapa do Ensino Superior no Brasil mais recente, divulgado ontem pelo Instituto Semesp, traz dados preocupantes. Segundo o estudo, a evasão se mantém elevada, atingindo principalmente os cursos on-line. Em 2024, 41,6% dos alunos da educação a distância (EAD) deixaram a graduação antes da conclusão do curso. No ensino presencial, a taxa chegou a 24,8% no mesmo ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A situação apresenta um contraste. Apesar da retomada do crescimento das matrículas depois do período mais intenso da pandemia, as dificuldades para garantir a permanência dos estudantes no ensino superior, sobretudo na rede privada e na EAD, persistem. Na maioria dos casos, a evasão tem um perfil. Ela é maior entre estudantes mais velhos, que respondem pela maioria dos casos na educação a distância. Em 2024, 67,3% dos alunos da EAD tinham 25 anos ou mais, enquanto no presencial a maioria ainda está na faixa até 24 anos. Conforme o Semesp, a conclusão a que se chega é que a dificuldade de conciliar estudo, trabalho e renda encaminha a desistência. Além disso, segundo Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, o modelo de aulas assíncronas, que exige autonomia do aluno, também joga contra. Em suma: o que deveria ser um facilitador para acompanhar as aulas, com horários flexíveis, se torna um entrave. E os problemas não param por aí. De acordo com o que foi apurado pelo trabalho, o avanço dos centros universitários, a perda de espaço das faculdades e a alta incidência da EAD no setor privado comprometem a qualidade da formação. Nesse sentido, o Ministério da Educação (MEC) determinou a abertura de processos de supervisão a cursos de Medicina em todo o País após resultados insatisfatórios no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025, cuja primeira edição revelou que, dos 351 cursos avaliados, 107 ficaram com notas 1 e 2 — passíveis de sanções. Em alguns casos, há desde restrição de vagas até a suspensão da entrada de novos estudantes. Por ora, a única instituição com punições imediatas é a Universidade Federal do Pará, que enfrenta redução de 50% das vagas e a suspensão de pedidos de aumento de vagas. Em um setor vital e determinante para o futuro do País, os números deixam claro que, às autoridades, não basta criar condições econômicas para que um número cada vez maior de cidadãos, de diferentes partes do País, inclusas aí aquelas distantes, com carências significativas e urgentes, ingressem no ensino superior. É fundamental, também, criar condições para que os universitários se formem, e o façam com a qualidade e a capacidade adequadas para exercer as respectivas profissões. Para isso, não basta cuidar das universidades públicas. É necessário ampliar a fiscalização sobre as instituições privadas e restringir a criação de cursos por parte de quem tem como único objetivo lucrar, deixando de lado a prestação de um serviço de padrão elevado.