(Reprodução/X) Já passou da hora do Governo Lula tomar posição mais firme e realista sobre a Venezuela. A Corte Suprema do país, que é chavista, portanto, governista, ratificou a reeleição de Nicolás Maduro e dispensou a apresentação das atas eleitorais, cobradas pelo Brasil e Colômbia para reconhecer a vitória atribuída a Maduro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esses documentos provariam o resultado urna a urna. Porém, a oposição afirma ter obtido cópias e as divulgado na internet para que fossem conferidas. Com base nesses dados, a aliança liderada por María Corina Machado diz que Edmundo González Urrutia venceu com 67%. Do lado de Maduro está outro ditador, Daniel Ortega, da Nicarágua, que de aliado passou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ortega teve papel histórico importante contra a família Somoza, mas décadas depois migrou para a repressão e o isolamento internacional e seguiu, antes de Maduro, a estratégia de inviabilizar candidaturas de opositores. Também impediu o trabalho da imprensa e puniu integrantes da Igreja Católica. Recentemente, fechou ONGs. O histórico de Ortega deve ser bem acompanhado para vislumbrar os próximos passos do venezuelano. Nesta semana, o presidente Lula voltou a falar em nova eleição na Venezuela, o que não tem sentido e também é totalmente descartado por María Corina. Com o grau de repressão no país, haveria o risco desse processo eleitoral virar oportunidade para isolar os adversários e para consolidar a autocracia. Maduro não vai abrir mão do poder, lembrando que por trás dele há toda uma estrutura dependente do controle que detém hoje. Apesar da promessa da oposição e dos Estados Unidos de anistia e mesmo de não haver algum tipo de punição, o atual presidente e seus seguidores temem eventuais acusações e processos ao longo de muitos anos, quando este momento crucial terá passado e muitas investigações poderão ser retomadas. Uma correta posição sobre a Venezuela está poluída por ideologias. Há uma briga nas redes sociais, que pode ter impactos eleitorais aqui no Brasil, mas o governo não se pode pautar por isso, pois miram o curto prazo, e as relações do País precisam ser estabelecidas com a visão de décadas para o bem do comércio exterior e do convívio entre brasileiros e venezuelanos. Do lado do Brasil, há muita indecisão, pois o PT reconheceu Maduro, apesar das denúncias de fraude eleitoral, dificultando a ação do Itamaraty e uma posição mais objetiva de Lula. O País não pode tomar o caminho do México, que saiu do grupo que buscava uma solução. O impacto dos problemas da Venezuela é imediato sobre o Brasil devido à onda imigratória estimulada pelo empobrecimento da população venezuelana, obrigada a lidar com uma triste situação: ser dona da maior reserva de petróleo no mundo, mas ver a produção não chegar a um terço da Petrobras. Com isolamento, a repressão e provavelmente mais sanções americanas, o colapso venezuelano e a diáspora devem continuar.