(Alexsander Ferraz/AT) A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP29, começou na última segunda-feira em Baku, no Azerbaijão, em tom morno, enquanto os líderes dos países ou seus representantes chegam no decorrer do evento, que vai até o dia 22. Mas há um certo desânimo com a eleição de Donald Trump, que deve retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, que prevê reduzir o aquecimento global em 1,5°C em relação à média da era pré-industrial – para isso se estima que será necessário cortar as emissões de gases pela metade até o fim desta década. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A COP29 é realizada em uma nação sustentado pelo petróleo. Se isso gera descrença sobre os efeitos da conferência, por outro é palco perfeito para mostrar a guerra de interesses em relação à transição para uma economia limpa. Algo que interessa ao Brasil, pois há um debate importante sobre a expansão das reservas da Petrobras e a oposição dos ambientalistas. Trata-se de uma escolha que tem tudo a ver com a COP29 – como desacelerar a busca de petróleo no País, que na próxima década já verá suas reservas do pré-sal exaurirem, e avançar com fontes renováveis sob risco de permanecer dependente por bom tempo dos insumos petrolíferos. Antes da chegada dos líderes, diplomatas e ambientalistas negociam as entrelinhas de um acordo ou a adaptação dos acertos anteriores. Os representantes americanos que estão lá são do Governo Biden, mas já é esperado que Trump, talvez durante a COP29, reforce que não irá cumprir o que for assinado. Não será um espanto, porque ele já tirou os EUA do Acordo de Paris no primeiro mandato. Mas de qualquer forma essa expectativa vai travar muitas discussões, com países se aproveitando para barganhar por compromissos mais brandos. Isso é muito ruim do lado prático. Cientistas afirmam que o aumento da temperatura média já está em 3°C sobre a era pré-industrial, o que exige uma aceleração da redução da emissão de gases. Há ainda o apoio financeiro aos países pobres para que possam migrar para energias sustentáveis, que as economias ricas até aceitam patrocinar, mas postergando ao máximo. A ascensão da direita extremista tende a dificultar os acordos no Azerbaijão. Paralelamente, o Brasil tenta atrair recursos para fundos ambientais, como o Amazônia, e o governo tem lançado com grande sucesso títulos verdes no exterior, que deverão fazer investimentos sustentáveis. São iniciativas desconhecidas até dos brasileiros, mas um esforço de divulgação precisa ser feito na COP29. Aliás, o desempenho do Brasil no Azerbaijão será fundamental para a COP30 em Belém (PA), em novembro de 2025. Mas se tanto a atual conferência como a próxima, no País, fracassarem ou se confirmarem irrelevantes, deve-se preparar para um roteiro de tragédias para daqui a alguns anos, como alagamentos, secas, países com economias destruídas e migrações estimadas de 200 milhões de habitantes, motivando guerras.