[[legacy_image_161125]] Menos traumático do que se esperava, os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos aumentaram suas taxas de juros básicos para segurar a inflação. Com os mercados preocupados com a invasão da Ucrânia e as sanções econômicas contra a Rússia, os holofotes dos efeitos que as medidas dos BCs foram moderados. Mas isso não significa que as consequências não virão no médio prazo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No caso do Brasil, a Selic elevada atrai capitais externos para o ganho financeiro desde o fim de 2021. O investidor estrangeiro entra no País com um dólar valorizado e lucra comprando títulos brasileiros com taxas altíssimas para os padrões americano, europeu e japonês ou ações de grandes companhias baratas, como as dos bancos. Porém, os juros altos afetam negativamente o cidadão comum e as empresas tanto do Brasil como dos EUA. Os impactos são menor crescimento ou recessão e mais desemprego. Nos EUA, a economia, prevista para avançar acima de 4% ao ano, agora deve caminhar pouco acima de 2%. O Brasil, como já vinha de uma rota de alta dos juros, vai seguir em rotação mais lenta, com o desemprego caindo devagar e a economia sustentada mais pela reabertura em fase final de covid-19 (assim se espera em relação à doença). Porém, os impactos da subida dos juros devem ocorrer de forma lenta ao longo do ano, pois eles não são imediatos. No Brasil, os economistas estimam que um aumento da taxa Selic leva seis meses para ser sentido. Há exemplo concreto disso, como o da habitação. Reportagens de A Tribuna mostraram que a linhas da casa própria praticamente não tiveram suas taxas ampliadas no semestre passado, quando de fato a Selic avançou mais forte, um aparente resultado da concorrência dos bancos. Mas recentemente, o setor bancário seguiu o BC e os empréstimos imobiliários agora estão ao redor de 10% ao ano e podem subir mais ainda. O problema é que os BCs do Brasil e dos EUA devem realizar novos ajustes para cima para debelar a subida dos preços, ainda mais com os efeitos das sanções aos russos nos preços do petróleo e trigo, entre outras commodities (produtos minerais e agropecuários negociados em bolsa com preço internacional). O Federal Reserve (BC americano) subiu os juros em 0,25 ponto percentual, com as taxas ficando entre 0,25% e 0,5% ao ano, e expectativa de até seis novas elevações em 2022. No Brasil, não há muito espaço para avançar com a Selic, mas economistas que antes da guerra previam taxa de 12% ao ano e estabilização nesse nível em maio, agora acreditam em 13%, a depender da inflacao e juros altos também em 2023 e talvez 2024. Não haverá ambiente para o País crescer, mas será um forma de preservar o poder aquisitivo da população. Porém, se o governo despejar recursos na economia, o trabalho do BC de enxugar capitais para desestimular remarcações vai fracassar e a Selic poderá demorar mais a cair.