[[legacy_image_187483]] Em meio ao impacto da covid-19 no ensino e às trocas de comando do Ministério da Educação (MEC), coroada agora a possível abertura de uma CPI para investigar o suposto gabinete paralelo na pasta, a questão que o País precisa se fazer agora é se as novas gerações terão as escolas que precisam. Professores mal remunerados, universidades sucateadas, debandada de pesquisadores e a dificuldade do jovem para se inserir no mercado de trabalho indicam que os problemas continuam, são graves e pouco tem sido feito para combatê-los. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O País possui grandes professores, pesquisadores, especialistas em educação e excelentes instituições públicas e privadas, mas não consegue disseminar essas qualidades por toda a rede escolar nacional e por meio do estudo promover uma elevação da renda dos mais pobres. Para piorar, o MEC, que é o responsável por desenvolver um planejamento central do ensino, segue desprestigiado, abalado pela disputa ideológica e ambicionado por oportunistas interessados em suas verbas volumosas, mas sempre insuficientes para promover um salto de qualidade. Economista respeitado no País, Eduardo Giannetti, que é professor, tem feito importantes observações sobre o ensino no País. Em entrevista ao jornal Valor na segunda-feira, ele alerta que “vivemos um grande retrocesso na formação humana” e que o Brasil desenvolve seu sistema educacional de forma “frustrantemente” lenta e neste momento passa por uma fase de retrocessos, reflexo da covid-19. Ele aponta que o País gasta mal sua verba de educação, atingindo resultados inferiores ao de nações que investem a mesma proporção do Produto Interno Bruto no ensino. Não é só uma questão de bom gerenciamento de recursos, mas de promover a sala de aula, onde um estudante não consegue apontar problemas e soluções do que aprendeu, sem um profundo aproveitamento de habilidades e conhecimentos após se formar. São questões extremamente complexas que precisam ser compreendidas pelo gestor do MEC, bem assessorado por uma equipe técnica de larga experiência. Entende-se que as dimensões continentais do País dificultam essa tarefa, que há disparidades econômicas e sociais entre as regiões e que a burocracia e a corrupção dificultam os resultados na sala de aula. Por isso, o MEC não pode ser moeda de troca nas negociações partidárias e muito menos suas verbas ficarem sujeitas ao orçamento secreto, que por sua natureza dificulta o cidadão de fiscalizar e exigir prioridade nos investimentos dessa área. Na entrevista, Giannetti diz que o País pode avançar se combater a evasão escolar e investir no Ensino Fundamental integral, além de garantir que ao concluir um ciclo educacional, o estudante saia de lá com competências para cursar a próxima etapa ou, se for o caso, começar a trabalhar. São desafios que o Brasil precisa se impor e que poderá vencê-los se tiver ministros preparados para a missão.