(Reprodução/Redes sociais) O Brasil terminou os Jogos Paralímpicos de Paris-2024 com a melhor posição no quadro de medalhas de sua história. Foi o quinto na classificação final, com 25 medalhas de ouro, 26 de prata e 38 de bronze. Em terras francesas, ficou atrás somente de China, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Holanda. No total, foram 89 medalhas obtidas pelos brasileiros, mais do que as 72 conquistadas nos Jogos de Tóquio, disputados em 2021. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para este ano, a expectativa do Comitê Paralímpico Brasileiro era de conquistar entre 70 e 90 medalhas, ficando entre os oito primeiros colocados. Mas o Brasil foi além e se destacou em várias modalidades em Paris. A nadadora Carol Santiago, por exemplo, se tornou a maior medalhista de ouro brasileira da história dos Jogos Paralímpicos. Apesar do sucesso da natação, a principal fonte de pódios do Brasil foi no atletismo, que teve 35 medalhas no total, das quais dez de ouro. Especialistas em esporte adaptado atribuem o bom desempenho brasileiro a um conjunto de fatores, entre eles os investimentos e o contexto social. No esporte para atletas com deficiência, tem havido, por parte de empresas privadas, valorização compatível com o esforço que desempenham para sair de casa, treinar, manter rotina de disciplina e vencer as barreiras de mobilidade e adaptação que o cotidiano das cidades apresenta. A performance do Brasil na Paralimpíada evidencia a todo o País que o espaço de atletas com deficiência é o mesmo que podem e devem ocupar em outros setores da sociedade, especialmente nos bancos universitários e no mercado de trabalho. Levantamento feito em fevereiro pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base em informações do eSocial, mostra que o Brasil tem quase 546 mil trabalhadores com alguma deficiência no mercado formal de emprego, sendo a maior parte desse número de vagas criadas em função da obrigatoriedade de cumprimento da chamada Lei das Cotas, que prevê a contratação de deficientes conforme o tamanho da corporação. O sucesso em Paris mostra que, quando vencidas as barreiras, pessoas com deficiência podem ocupar lugares comuns a qualquer ser humano, e até com melhor desempenho, visto que empregam esforço maior para vencer seus limites psicológicos e emocionais. Ficaram para trás, portanto, argumentos que tentavam explicar o não cumprimento das cotas em empresas por falta de mão de obra para as vagas disponíveis. Ocorre que, para estudar e competir em pé de igualdade, barreiras de mobilidade e acessibilidade precisam ser removidas. Por vezes, é preciso oferecer saúde especializada e profissionais para desenvolver as habilidades necessárias. Que o 5º lugar no Jogos Paralímpicos jogue luz sobre uma inclusão necessária, que já está acontecendo nos esportes de forma notável, e que agora precisa ser percebida por toda a sociedade brasileira.