(Reprodução) O anúncio iminente do edital de leilão para a construção do tão esperado túnel entre Santos e Guarujá marca o momento mais promissor que esse projeto já viveu em sua longa trajetória. Com a convergência de esforços entre o Governo Federal e o do Estado, representados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador Tarcísio de Freitas, a obra parece ganhar contornos de realidade. No entanto, diante do histórico de adiamentos e obstáculos, é imperativo que não haja mais retrocessos. Com a união de esforços, ainda que em campos políticos e ideológicos opostos, Lula e Tarcísio demonstram sensatez e objetividade em torno de uma obra que beneficiará tanto o maior complexo portuário do País como, de forma direta, a mobilidade urbana de toda a região. A necessidade da ligação seca entre as duas cidades é inquestionável. Hoje, cerca de 30 mil veículos cruzam diariamente as margens do estuário por meio das balsas, além de 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres utilizando barcas e catraias. Esse volume crescente sobrecarrega o sistema atual, gerando gargalos de mobilidade que afetam não apenas a população local, mas toda a atividade portuária e logística da região. A modernização dessa conexão é um passo fundamental para o desenvolvimento sustentável da Baixada Santista. O projeto do túnel submerso, orçado em R\$ 5,96 bilhões, é considerado a maior obra de infraestrutura do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e prevê uma parceria público-privada (PPP) para sua execução, operação e manutenção por 30 anos. Mais do que um empreendimento de grande porte, essa ligação simboliza um avanço estrutural que impactará diretamente a qualidade de vida da população e a competitividade do Porto de Santos. Contudo, para que o túnel cumpra seu papel de forma eficiente, é essencial que sejam mapeados com rigor os impactos no viário urbano de Santos e Guarujá. A nova infraestrutura deve ser acompanhada de intervenções complementares que garantam fluidez ao tráfego, evitando que o fluxo de veículos se transforme em um novo problema para a mobilidade urbana das duas cidades. Investimentos em acessos, sinalização e infraestrutura de suporte devem ser planejados e executados com a mesma prioridade que a obra principal. Essa preocupação justifica a ida do prefeito de Guarujá, Farid Madi, a Brasília esta semana, para pleitear uma atenção extra às obras complementares. O momento para a construção do túnel nunca foi tão propício. Há alinhamento político e vontade demonstrada por parte dos entes envolvidos. Cabe agora garantir que as próximas etapas transcorram sem interrupções, atrasos ou mudanças de rumo que possam comprometer a materialização desse projeto estratégico. O túnel Santos-Guarujá não pode continuar sendo um sonho distante. Ele precisa sair do papel e transformar-se em realidade, garantindo uma travessia moderna, eficiente e integrada ao crescimento da região.