(Padron / Adobestock) A queda da balança comercial, diferença entre exportações e importações, de 24% entre o ano passado e 2023, reflete uma das principais características do segmento de commodities (produtos minerais e agropecuários com preços definidos em bolsas internacionais) - ser extremamente cíclico, com volatilidade de suas cotações (são mais instáveis). Por isso, não impressiona o recuo do saldo brasileiro, que mesmo assim deve ter sido um dos maiores do mundo, de US\$ 74 bilhões, frente aos US\$ 98 bilhões de 2023. Daí a importância de manter a economia diversificada, com boas vendas do setor industrializado, mais estável. o agronegócio, que enfrentou seca e chuvas intensas e cotações desvalorizadas. Além disso, o preço do minério de ferro caiu na China e o do petróleo se estabilizou na casa dos US\$ 70. Pois é a exportação petrolífera a grande novidade do ano passado, superando a liderança da soja no saldo brasileiro. Essa mudança também deixa para trás períodos de profunda crise pela necessidade de importar o produto, gerando endividamento externo, Agora, o Brasil é um dos gigantes mundiais do petróleo. Apesar de depender em excesso das commodities, o País não é mais uma economia de monocultura, como a cana-de-açúcar e o café, ou mesmo a soja, como se imaginava há alguns anos, mas de uma variedade de mercadorias. O caso do petróleo traz questões mais profundas, que é o impacto ambiental. Há uma necessidade interna de consumo, o que é estratégico para as contas do País, e que exige manter a extração em níveis elevados, e de novas frentes com ecossistemas sensíveis, como a Margem Equatorial (costa entre o Amapá e Rio Grande do Norte). O Governo Lula pretende investir nessa área, mas tem evitado o tema com a aproximação da conferência das Nações Unidas em novembro em Belém (PA), próxima ao trecho que está nos planos de atuação da Petrobrás. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) estima para este ano um saldo igualmente elevado, entre US\$ 60 bilhões e US\$ 80 bilhões. Porém, 2025 se mostra imprevisível para as exportações, com a ameaça do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas contra México, Canadá e União Europeia e ampliar as restrições à China. O Brasil pode se tornar um alvo dos países penalizados, que derrubariam os preços de seus manufaturados, mas a vantagem se daria do lado das commodities, pois os EUA sofreriam sobretaxas dos outros países em retaliação. Além disso, falta confirmar o acordo de livre-comércio com a União Europeia, que enfrenta forte oposição da França, mas com boa expectativa de sair do papel. No caso da UE, o Brasil teria muito a ganhar não apenas do lado comercial, mas também de conviver com exportadores de alto valor agregado e habituados a um marketing muito forte e ao esforço de realçar as qualidades de suas regiões produtoras. São características que o País tem muito dificuldades para desenvolver e importantes para diversificar a pauta de exportações, conferindo mais estabilidade ao saldo comercial.