(Bruno Peres/Agência Brasil) O Banco Central aqueceu o debate sobre as bets, as plataformas de apostas on-line. Pesquisas já apontavam que a baixa renda andava restringindo seu consumo de bens essenciais devido à jogatina eletrônica, ao mesmo tempo que especialistas do mercado financeiro alertavam que aficcionados desses jogos os veem como investimento, enquanto não passam de entretenimento. Com base em dados do Pix, o BC trouxe a espantosa informação de que, em agosto, os usuários do Bolsa Família gastaram R\$ 3 bilhões com as apostas virtuais. O BC levantou que, de 20 milhões de apostadores virtuais via Pix, 5 milhões são usuários do Bolsa Família, o que indica que estão acrescentando mais fontes de renda da família. A receita total das bets no mês, incluindo os beneficiários do programa federal, somou R\$ 20,8 bilhões – há outras modalidades de pagamento, porém, os cartões de crédito e débito corresponderiam a uma menor parte do movimento. Essa soma mensal apenas com Pix é mais de dez vezes o que a Caixa Loterias arrecadou com jogos tradicionais no período (a própria Caixa Loterias pretende invadir esse mercado). São números impressionantes, mas que fazem jus à presença ostensiva das apostas on-line no dia a dia do brasileiro nos últimos tempos, inclusive em relação aos que não apostam. A começar pelo futebol, tornando-se grandes patrocinadores da modalidade. Nas redes sociais, influenciadores com alguns milhares de seguidores estimulam o uso de várias plataformas, mostrando stories com jogos rendendo uma boa quantidade de reais. O próprio governo viu esse segmento como chance de ampliar sua arrecadação, adotando um programa de regularização de bets, ainda em implantação. Contudo, começaram a chegar notícias de apostadores endividados que perderam tudo nessa jogatina, e agora o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, têm afirmado que medidas saneadoras precisam ser tomadas. No Congresso, o senador Omar Aziz (PSD-AM) defende a retirada de casas on-line do ar até que estejam regulamentadas. Por último, veio o caso da advogada influenciadora Deolane Bezerra e do cantor Gusttavo Lima, citados em investigação sobre lavagem de dinheiro na área. As próprias bets precisam cuidar do seu sucesso, faltando um esforço do setor para separar o joio do trigo. Ao jornal Valor, executivos dessa área afirmaram que as casas ficam com menos de 10% dos recursos desembolsados e não 15%, como teria estimado o BC. Varejistas, que alegam perder vendas para essa febre, defendem limitar os gastos com jogos, e fontes acham que o governo poderá impor algum tipo de “trava” sobre valores a serem apostados. O melhor para o próprio setor é atuar mediante regras claras, que combatam irregularidades e lavagem de dinheiro, e que prezem pela saúde dos jogadores. E principalmente que também haja uma campanha educativa pelo bem da baixa renda.