[[legacy_image_164923]] O envelhecimento da população em ritmo acelerado é reflexo dos avanços da Medicina e da tecnologia, que acelera e barateia o acesso aos novos conhecimentos que propiciam qualidade de vida. Portanto, devido à longevidade, as demandas da sociedade e as respostas esperadas dos políticos para essas necessidades também passam por mudanças. Melhorias na saúde, principalmente com os efeitos trágicas da covid-19 sobre os mais velhos, questões previdenciárias, capacitação de profissionais especializados para esse público, sede por novos conhecimentos, com a possibilidade de voltar a estudar e disposição para continuar trabalhando (não apenas por necessidade) são temas que ganharam importância entre os idosos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Conforme reportagem publicada segunda-feira em A Tribuna, os maiores de 60 anos correspondem a quase um quarto do eleitorado da Baixada Santista (24,08%) – são exatos 323.581, conforme dados de fevereiro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dobrando em relação aos 151 mil em 2002). Aliás, a participação dos idosos na Baixada supera com folga na comparação com essa faixa no Estado (21,21%) e no País (20,38%). Em todo o Brasil, é evidente que os governos e os legislativos têm novas prioridades. Porém, parte dessa faixa etária, os maiores de 70 anos, não é obrigada a votar, o que remete a uma discussão dos últimos dias em relação aos menores de 18 anos, que também vão às urnas por vontade própria. Muitos desses jovens demonstram desinteresse pelas eleições, sinal de decepção com a política. Dos idosos, além das dificuldades que a velhice impõe, também há muito descrença. Um eleitor de 81 anos entrevistado na reportagem, admite estar “desiludido com a política”, o que não surpreende. Entretanto, a política não pode atender as diversas faixas etárias apenas com base na matemática eleitoral. Por uma questão de cidadania, é preciso entender as novas necessidades. A questão é muito profunda, quando se trata de envelhecimento. Há uma parcela que vai seguir com plenas condições físicas e mentais para produzir, enquanto outras vão enfrentar limites mais cedo. Para isso, é necessário investir nos sistemas de saúde, cada vez mais caros por essa nova demanda, e tornar o mercado de trabalho mais acessível para os mais velhos. Neste último caso, no Brasil há um processo de exclusão e preconceito que começa a partir da faixa dos 50 anos. Isso ganha mais relevância pela importância de manter uma renda razoável para cobrir os custos da saúde ou mesmo para aproveitar com conforto essa parte da vida, o que é dificultado pela própria limitação dos modelos previdenciários em funcionamento. Desinteressados ou sem visão das reais necessidades dos idosos, os governos gostam de facilitar o acesso ao crédito, como forma de complementar a renda. Na prática, não se resolve o problema e cria outro, que é empurrar os idosos para a multidão de inadimplentes.