(Sharon McCutcheo/Unsplash) Após atingir pico de R\$ 6,26 em 18 de dezembro, o dólar engatou uma série de recuos que tem resistido até ao noticiário nervoso com as tarifas do presidente americano Donald Trump. Agora abaixo de R\$ 6,00, o câmbio permanece em níveis elevados, lembrando que em 1º de janeiro do ano passado estava cotado a R\$ 4,85. O avanço durante 2024 esteve associado primeiro aos juros elevados nos Estados Unidos, que retiram recursos estrangeiros do Brasil em busca de ganhos e segurança nos EUA. Em segundo, o governo passou a enfrentar profundas desconfianças sobre as contas públicas, culminando com o malfadado plano de cortes de gastos, que embutiu isenção de Imposto de Renda até R\$ 5 mil mensais. Entretanto, analistas do mercado notaram, a partir de 15 de janeiro, uma repatriação de recursos externos ao Brasil para investimento financeiro. Não por motivos que se gostaria, como atratividade para negócios ou uma Bolsa com empresas hoje altamente lucrativas. O interesse, no momento, está relacionado aos juros elevados, enquanto os EUA reduziram suas taxas, o que tornou a renda fixa do Brasil mais atrativa (a diferença dos juros entre Brasil e EUA ficou maior, compensando ao estrangeiro arriscar no País). Isso acabou refletindo na Bolsa, que recebeu uma parte desse fluxo. Segundo reportagem do site Money Times, até 15 de janeiro o saldo para investimento financeiro no Brasil era negativo. Mas essa diferença se tornou positiva em R\$ 9 bilhões em 16 e 17 do mesmo mês. Portanto, assim como os brasileiros, os investidores estrangeiros também são atraídos pela renda fixa. Na prática, esse dinheiro, que poderia ajudar a fomentar a oferta de crédito, na verdade, em parte sustenta o governo, que gasta mais do que arrecada, e para isso oferece mais juros ao mercado – um dinheiro que poderia ir para a atividade produtiva. Essa distorção não é nova e de tempos em tempos o País atrai capital externo devido aos juros salgados. Hoje, isso não significa que os estrangeiros desistiram da Bolsa. Segundo a B3, que controla a Bolsa, em dezembro, de todo o capital custodiado na instituição, 47% eram de não residentes ou estrangeiros, chegando a 63,5% no volume negociado. Esses investidores, como grandes fundos, buscam ações da Vale, Petrobras e bancos, pois são fáceis de serem vendidas. O Brasil não passa mais pela situação de décadas atrás, quando não tinha dólares suficientes para pagar a dívida externa e fazer importações, pois as exportações aumentaram e o País juntou reservas com folga para dar conta desses compromissos. Porém, o dólar tem papel importante na inflação e nos custos das empresas, dos combustíveis à aquisição de insumos importados. Dessa forma, é fundamental estabilizar o câmbio de forma saudável, com o controle das despesas públicas e uma economia eficiente e estável, tornando o produto nacional mais competitivo e atraindo mais capitais externos sem fins especulativos.