(White House/Shealah Craighead) O protecionismo do Governo Trump pode ajudar a aumentar a percepção de que este século será da Ásia. Assim como União Europeia, Canadá, México e Brasil, os asiáticos também sentirão, até mais fortemente, o impacto das tarifas americanas, que ainda não se sabe até que nível chegarão. Com os EUA confirmando suas sobretaxas sobre importações, o excedente que ficará mais caro em território americano poderá buscar outros mercados, estimulando acordos alternativos aos EUA, com grandes empresas da Ásia descobrindo clientela inédita para elas. China, Índia, Japão e Coreia do Sul são as estrelas do continente, mas há outras economias importantes pelo número de habitantes acima ou próximo dos 100 milhões, ainda em desenvolvimento, que são emergentes ou vão se tornar um deles. O Brasil tenta a duras penas vender mais para a Indonésia e a Índia, mas o Vietnã, visitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é mais promissor para os brasileiros. Segundo Lula, o Brasil já vende mais ao Vietnã do que a Portugal, Reino Unido ou França. A economia vietnamita já é o quinto maior cliente do agronegócio brasileiro, com destaque para soja, carne suína, frango e algodão. Na visita de Lula, o país anunciou que vai comprar carne bovina e aviões, talvez 50. O Sudeste Asiático, com custo de vida baixo, virou uma febre do turismo, com os passageiros circulando também para a Tailândia, Laos, Singapura, Malásia e Camboja, o que resultará em mais desenvolvimento. Porém, perante a China, o Vietnã ainda tem uma corrente de comércio (exportações mais importações) muito inferior, respectivamente de US\$ 160 bilhões e US\$ 7,7 bilhões. Assim como a China, o Vietnã tem regime comunista, mas são fortes concorrentes. Boa parte da produção mundial de calçados, especialmente tênis, sai do Vietnã, com mão de obra mais barata. A expansão asiática favorece as exportações brasileiras, mas também é altamente competitiva com os manufaturados do Brasil, que já se sabe têm custos muito mais altos. Caso o País não resolva suas deficiências, como burocracia, carga tributária, educação básica fraca e infraestrutura deficiente, não haverá como enfrentar a Ásia. O desenvolvimento asiático tem outras implicações, como o cerco dos EUA à China, regimes totalitários, e outros de democracia incipiente ou que evoluam para autocracia, aliás algo em evidência nos demais continentes. A formação de blocos da China ou dos EUA tende a se tornar um problema para o Brasil, diplomaticamente neutro, sendo cobrado para assumir um lado. Mas o fato é que os chineses têm investido em infraestrutura – energia, portos e mineração – na América do Sul e África, como reflexo e sustentação de sua expansão comercial. O caminho mais sensato é o Brasil seguir como está, sem se envolver em polêmicas relacionadas às duas potências. Trata-se de um desafio, pois isso exige política externa de Estado, não de governo, ao sabor de quem venceu a última eleição.