(pierre9x6/Pixabay) A extrema direita não conseguiu tomar dos centristas o controle do Parlamento Europeu, mas avançou em número de cadeiras, adquirindo peso importante nas futuras votações. Entretanto, o destaque do pleito de fim de semana foram as derrotas dos atuais governos alemão e francês. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Neste último caso, o presidente Emmanuel Macron optou pela arriscada iniciativa de dissolver o Legislativo, com o primeiro turno das eleições já no próximo dia 30. A frente radical liderada por Marine Le Pen ambiciona assumir o poder. Apesar de não ser novidade, Macron, que ficará no cargo até 2027, teria que compartilhar o Executivo com os extremistas ou talvez os socialistas, a depender do resultado do pleito. Por outro lado, entre os radicais já no poder, quem ganhou importância foi a premiê italiana Giorgia Meloni, que reforçou sua base até mais que outros extremos da Itália. O crescimento da ala de extrema direita na Europa já era aguardado, refletindo uma tendência no Ocidente, como no Brasil, Argentina e Estados Unidos. Porém, a Europa carrega muitos simbolismos e, como publicou o jornal americano de The Washington Post, de bastião do liberalismo político e econômico, o continente agora abriga um caldeirão de posições opostas e antes inadmissíveis sobre imigração, antissemitismo, protecionismo e meio ambiente. As eleições tiveram resultados diferentes conforme o país, mas o avanço da extrema direita está relacionada em maior ou menor grau ao impacto local da imigração e aos custos da transição para energias limpas. Os agricultores e muitas famílias se queixam da necessidade pagar mais impostos ou de gastar com equipamentos para adotar matrizes renováveis. Essa queixa em comum tornou os pequenos agricultores uma força política em ascensão. Há poucos meses, eles levaram seus tratores para bloquear as rodovias na Alemanha, Itália e França, entre outras regiões da Europa. Esse peso também reflete no protecionismo, que há muitas décadas dificulta a entrada de produtos agropecuários. O Brasil pode sofrer as consequências desse novo Parlamento Europeu. O gigantismo do agronegócio brasileiro assusta os radicais, que apontam uma série de acusações, não só ao Brasil, mas a outros países produtores, de plantio em áreas desmatadas, uso excessivo de agrotóxicos e exploração de mão de obra. Apesar do avanço da extrema direita no Parlamento Europeu, ainda não está claro como isso vai evoluir para uma maior influência política. Mas parece óbvio que os atuais líderes centristas vão adotar alguns desses temas radicais, algo que Macron já fez em relação ao Mercosul, que está engavetado para atender os agricultores, agradando um eleitorado mais impaciente. Ao longo das décadas, as principais democracias penderam para a direita ou para a esquerda, mas sem sair do centro. Falta saber se tais ideias extremistas sairão do papel e como influenciarão os sistemas políticos dos países pelo mundo.