(FreePik) No noticiário, as mudanças climáticas ganham cada vez mais espaço pelo aumento dos registros de chuvas, secas e furacões. O tema também entrou para o discurso dos prefeitos, que buscam recursos para adotar medidas preventivas, e isso tem relação com a tragédia do Rio Grande do Sul no ano passado. Já as empresas agem para se proteger contra eventuais prejuízos ou aproveitar a urgência ambiental para investir em produtos ou serviços nessa frente. E há a transição para novas fontes de energia limpa, o que de fato vai reduzir o uso dos combustíveis fósseis, principal motor do aquecimento do planeta. Pois é a mudança para essas matrizes sustentáveis que realmente precisa ser acelerada. Contudo, ela ainda é muito lenta, não apenas no Brasil. Os impasses e a resistência dos países poluidores desde a era pré-industrial são marco das conferências anuais, que a Organização das Nações Unidas tem realizado – a próxima será em Belém (PA), em novembro. Com o avanço da extrema direita, principalmente na Europa, e da persistência do negacionismo nos Estados Unidos, o financiamento à transição energética dos países pobres e das nações insulares, que poderão desaparecer com a subida do nível dos mares, corre grande perigo. Não que os conservadores sejam necessariamente opostos a medidas contra as mudanças climáticas, mas a aversão a organismos bilaterais e a dificuldade para negociar com os opostos, e isso vale também para alas da esquerda, se tornam um problema para haver um entendimento mundial. Enquanto os países não se entendem, a iniciativa privada e os consumidores cuidam de sua parte na transição. São os comitês de sustentabilidade nas empresas, o crescimento da produção de veículos eletrificados, o uso residencial de painéis solares e a expansão dos negócios de geração eólica e fotovoltaica e biocombustíveis, áreas no Brasil já inseridas no sistema energético nacional, em meio a uma importante regulação implantada. Porém, muito disso tem relação com a oportunidade econômica, com as famílias economizando na conta de luz e o empreendedorismo aproveitando uma nova frente de negócios. Trata-se de algo positivo, mas é preciso fazer mais para migrar para a sustentabilidade e evitar o aquecimento do planeta. Em menor ou maior nível, já há uma conscientização da sociedade civil. Agora é hora de partir para uma transição mais acelerada, no dia a dia, utilizando produtos, serviços e combustíveis sustentáveis. Os governos têm papel nesse sentido, que não pode ser apenas baseado no estímulo fiscal. São necessárias mais regras impositivas que forcem essa mudança, pois ainda há muito descarte de materiais e extração de recursos minerais que não são reaproveitados, assim como desperdício no consumo de alimentos, no vestuário e no transporte. No caos ambiental, pagar para ver, isto é, esperar que as mudanças climáticas deem mais evidências aos reticentes ou para conferir se haverá prejuízo à economia, não tem o menor sentido.