( Divulgação/Ministério da Infraestrutura) É correta a decisão do Governo Federal de criar um grupo de trabalho no Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit) para discutir a faixa de domínio das ferrovias, hoje de 15 metros para cada lado das linhas. Porém, com o avanço desordenado das cidades, muitas moradias foram construídas no entorno do sistema, ampliando o risco de acidentes. Técnicos do setor também apontam como efeito a redução da velocidade nessas áreas, deixando as viagens mais demoradas e ampliando o custo do setor. Por outro lado, eventuais acidentes podem resultar em uma grande tragédia devido à proximidade das habitações ou à circulação dos moradores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entretanto, o que preocupa empresas ferroviárias e usuários do segmento é o aumento de roubos e saques, que passaram a ser mais divulgados pela imprensa, em um sinal de que a criminalidade descobriu um filão nessa área. A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários afirma que ao longo dos anos havia o registro apenas pontual e intermitente de roubos de cargas, mas que as ocorrências avançaram entre o fim de 2022 e o começo do ano passado, prejudicando o fluxo do escoamento das mercadorias “e a economia do País”, uma queixa que precisa ser considerada como prioridade pelas áreas de segurança pública dos governos. Procurada por A Tribuna, a Secretaria Estadual de Segurança Pública disse que adotou políticas para coibir as ações dos criminosos. Segundo a pasta, houve um recuo de 24,2% dos registros nessa área, de janeiro a abril, em comparação a igual período do ano passado. As autoridades alertam ainda que fatores sazonais e condições geográficas influenciam os índices criminais regionais, ressaltando a presença do Porto, e que usa inteligência e tecnologia para combater os bandidos. O que se nota é que o segmento de transporte está muito preocupado, e que a criminalidade contra a atividade ferroviária precisa ser intensivamente enfrentada. Por exemplo, um treinamento de fiscais federais chegou a ser adiado porque antes de sua realização ocorria uma onda de crimes contra trens. Por isso, esses crimes têm que estar entre os assuntos do grupo de trabalho do Ministério dos Transportes. Aliás, conforme a reportagem de A Tribuna, a região chegou a ser citada como área de saques dos vagões com destino ao Porto. A menção foi feita durante audiência pública, no começo do mês, na Comissão de Viação e Transportes da Câmara, em Brasília. E como há planos dos governos Federal e Estadual de ampliar o sistema ferroviário, inclusive o de passageiros, nos próximos anos, a proteção do entorno das linhas e planos mais efetivos de combate à criminalidade se tornaram essenciais. Roubos e a instalação de moradias junto ao sistema também pioram o custo Brasil, tornando o produto nacional ainda mais caro em relação aos concorrentes internacionais.