(Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) Com um discurso voltado a programas sociais e mercado de trabalho com baixo patamar de desemprego, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na economia para impulsionar sua campanha pela reeleição. Mas, pelo menos até agora, o petista não tem dado visibilidade a um dos pontos fortes de seu governo, que são os investimentos em infraestrutura, viabilizados por concessões. Como não há recursos no Orçamento para aportes de recursos federais em projetos de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, a gestão lulista optou por turbiná-los por meio da iniciativa privada. Essa alternativa, muito defendida pelo centro e a direita e o próprio empresariado, foi empregada desde o governo de Fernando Henrique Cardoso e por todos os seus sucessores. Inclusive Lula em seu segundo mandato e também por Dilma Rousseff. Entretanto, com a privatização das estatais estaduais de saneamento básico e energia, a esquerda tem feito críticas, o que levanta dúvidas se o atual o governo está mesmo realmente interessado em ampliar as parcerias com o setor privado. Como a infraestrutura é um setor estratégico para o desenvolvimento do País e a redução do custo Brasil, espera-se que o gestão de Lula faça uma defesa mais veemente das concessões. O certo seria demonstrar que tal expansão não é apenas por necessidade, mas como modelo de crescimento. Na comparação entre governos desde Fernando Henrique Cardoso, Lula 3 lidera com 50 leilões de concessões de infraestrutura, segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo no mês passado. O total do País foi de 160 desde 1995. Em segundo lugar Jair Bolsonaro, com 45, enquanto FHC realizou 26 nos dois mandatos. Dilma Rousseff conduziu 18, Michel Temer, 11, enquanto Lula 1 não efetivou leilões e Lula 2 fez dez. Pela análise dos números, além da inconstância da realização de concessões, os dados indicam que a retomada desse modelo depende muito da circunstância econômica, como crises e caixa das empresas. Houve ainda segmentos que em um governo cresceram mais do que em outro. Por exemplo, com Dilma, houve muito repasse de aeroportos ao setor privado. Mas há limitações nessa área, como três empresas aéreas dominantes, sem entrantes e competição externa, o que atrasa a expansão da aviação regional – um nicho que tem atraído muitos investimentos na Índia, que, aliás, fez encomendas da Embraer para atender essa demanda. A reportagem da Folha também mostrou que houve muitas falhas e atrasos nas concessões, o que, por outro lado, estimulou a retomada de projetos importantes de ferrovias. Com esse contexto de dificuldades, nota-se como a promessa de investir em infraestrutura na época eleitoral é frágil e que as formatações das propostas de concessões precisam ser bem conduzidas. Isso evitaria disputas judiciais, queixas futuras referentes à remuneração das concessionárias e o que é cobrado da população, assim como manteria um fluxo de novas concorrências ao mercado.