(Vanessa Rodrigues/AT) Os mais de 5 mil furtos de fios e cabos de energia elétrica registrados na região neste ano, conforme A Tribuna publicou nesta segunda-feira (18), com base em dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Neoenergia Elektro preocupam e precisam ser enfrentados com rigor. Além dos transtornos que esses crimes causam à população e às empresas, eles sustentam uma cadeia de receptação e o próprio aumento da violência. Também exigem constante empenho de agentes das polícias e das guardas metropolitanas e obrigam as concessionárias a destinarem recursos que poderiam ser utilizados em mais investimentos. Assim, o custo vai parar na conta de luz que todos pagam. A Neoenergia Elektro aponta ainda que esses crimes quase dobraram de janeiro a outubro, em comparação com igual período do ano passado, com alta de 93%. A maior incidência em sua área foi registrada em Peruíbe, com 924 ocorrências. O interesse dos ladrões está no cobre, que pode ser vendido de forma ilegal a ferros-velhos e lojas de produtos usados, segundo a polícia. Portanto, é essencial combater a receptação, pois sem esse lado não há como haver sustentação para esse tipo de crime. Esse enfrentamento exige investigação, o que é mais uma sobrecarga às polícias, envolvidas com outras modalidades criminosas, algumas delas de alta letalidade. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública afirma que mapeou os locais de maior incidência e atua para identificar os pontos de vendas desses materiais furtados. As prefeituras também dizem que combate por meio das guardas municipais e em parceria com o Estado. Porém, o esforço conjunto precisa ser ampliado, até como prevenção, pois há risco desse problema atingir larga escala. A solução também exige uma legislação mais rigorosa, punindo severamente todas as partes envolvidas. O importante é não deixar os casos se acumularem sem a devida ação policial para evitar uma sensação de impunidade. As concessionárias afirmam que auxiliam as polícias no combate, mas também alertam para o risco de acidentes decorrentes desse banditismo. Para se ter uma ideia do avanço desse tipo de crime, ele já chegou à nova linha do VLT, que nem começou a operar. No madrugada do dia 8, bandidos retiraram cabos de uma das estações desse modal no Paquetá, região central de Santos. São custos que se acumulam ao longo do tempo e que acabam por inviabilizar serviços públicos, problema que já é grave em partes do País. Não se deve esquecer do Rio de Janeiro, onde há outra modalidade de crime em nível ainda mais intenso – o do furto de energia por meio dos ‘gatos’ na fiação. A concessionária Light estimava uma perda anual de R\$ 750 milhões, em reportagem do jornal O Dia, e conforme o portal g1, esse crime já é responsável por 10% da conta de luz que todos pagam no Rio. Tanto o furto de cabos e fios como os ‘gatos’ parecem crimes “pequenos”, mas na verdade são um problema sério de segurança pública.