(EBC) Entre 2010 e 2024, a participação da produção nacional no consumo de máquinas e equipamentos caiu de 77% para 53%. A conta, divulgada pela diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Cristina Zanella, em entrevista a A Tribuna, mostra como esse ramo sofre com problemas de competitividade, principalmente em relação à China. Entre vários gargalos no setor, ela aponta para a carga tributária elevada e o alto custo do crédito, que dificultam investimentos tanto pelos fabricantes como compradores. Tais dificuldades ganham importância pelo tamanho do setor de máquinas e equipamentos. Com faturamento anual de R\$ 277 bilhões, ele emprega 400 mil trabalhadores, geralmente de melhor capacitação, lembrando ainda que essa indústria é mais forte e sofisticada no Estado. Esse ramo atende as necessidades da construção, do agronegócio e das empresas em geral que produzem outros bens, como vestuário, alimentos industrializados e veículos. Portanto, as companhias de máquinas dependem profundamente dos juros, inflação, mercado de trabalho e crescimento do PIB para avançarem. Isso explica a expansão do setor no ano passado. Porém, a competição deverá se tornar mais feroz devido à guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos e com a provável estratégia da China de responder com preços baixos para entrar de forma pulverizada nos mercados emergentes. Apesar das desvantagens do custo Brasil, como impostos altos e crédito caro, infraestrutura deficiente e mão de obra sem ensino básico de qualidade, muito menos ainda com preparo técnico, o País deu passos importantes nos últimos anos. Os principais foram as reformas trabalhista e tributária, esta última com efeito a ser sentido a partir do fim desta década. O governo também implantou a depreciação acelerada, que permite às empresas amortizar mais rapidamente os investimentos na compra de máquinas e equipamentos, com o efeito prático de estimular a modernização dos parques industriais. Esse programa gera mais faturamento para os segmentos ligados à Abimaq e torna toda a produção mais eficiente, viabilizando o uso das novas tecnologias. No ano passado, em meio à recuperação da indústria, os dados da balança comercial apontaram um aumento preocupante da importação de automóveis e máquinas agrícolas de origem chinesa. Não se trata de reivindicar protecionismo para os fabricantes nacionais, estratégia que está no centro da gestão do presidente americano Donald Trump e que deverá ganhar fôlego no Brasil. Aliás, experiências nessa linha, no País, já mostraram resultados indesejados, como preços mais altos e desinteresse pela competição. Para reflexos sustentáveis, o melhor caminho é investir em capacitação e tecnologia, cortar impostos, baratear o crédito e abrir novos mercados, o que envolve expor o próprio Brasil à concorrência internacional.