(Alexsander Ferraz/AT) A inadimplência de 28,3% dos contratos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), conforme A Tribuna publicou ontem, é um retrato do endividamento das famílias no País. E mesmo com programas como o Desenrola e renegociações das próprias empresas, esse problema está longe de ser resolvido. No caso da CDHU, o elevado percentual preocupa pela importância socioeconômica da estatal paulista e por oferecer financiamento popular para a casa própria. Por outro lado, é fundamental levar educação financeira aos mutuários em geral, inclusive os do Governo Federal, para que aprendam a importância de controlar o orçamento e o peso dos juros nos gastos, principalmente do cartão de crédito. O pano de fundo do aperto provavelmente está no desemprego, que teve picos no Governo Dilma Rousseff e depois na pandemia, o que deve ter transformado dívidas atrasadas em uma bola de neve que se tornou impossível de pagar. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A CDHU mantém na região 10 mil contratos, com 2,8 mil sob inadimplência, o que nominalmente é um número impressionante. Quando um mutuário completa uma terceira prestação vencida sem pagamento, ele já fica sujeito à cobrança judicial por parte da CDHU. A norma precisa ser cumprida pelo correto funcionamento do sistema, mas esse quadro não é bom para nenhum dos lados. Essas famílias, além de continuarem com problemas financeiros e com restrições de devedores, terão que buscar nova moradia talvez com alguma condição de precariedade, pressionando a política social dos governos. Ao mesmo tempo, a CDHU enfrentará os custos da tomada do imóvel, com impacto em seu balanço, e dinheiro a menos para produzir mais moradias aos paulistas de baixa renda. Com este exemplo, fica claro que a inadimplência, nas várias modalidades de crédito, é um desafio não apenas para as famílias, mas também para o setor financeiro e a economia brasileira como um todo. Juros altos são reflexo de um longo histórico de calotes, o que estimulou os bancos a restringir financiamentos. As taxas mais salgadas também refletem uma instabilidade econômica de décadas, atrelada à inflação e gastos públicos desenfreados, que superam a arrecadação de impostos. Paralelamente a esse quadro, o segmento de empréstimos lançou uma série de novos produtos, como o consignado e os parcelamentos por meios eletrônicos, assim como a tecnologia facilitou a tarefa das instituições financeiras de localizar potenciais clientes. Estes muitas vezes não compreendem o peso das taxas que estão contratando. A forte recuperação do mercado de trabalho é fundamental para amenizar esse quadro de inadimplência, mas é preciso que as taxas de juros caiam por longos períodos. Por isso, a austeridade fiscal do setor público é fundamental, assim como o crédito deve ser oferecido de forma responsável à população.