(FreePik) Circulam nas redes sociais dezenas de posts ironizando a nova ferramenta do Google que utiliza a inteligência artificial (IA), chamada AI Overview, lançada há duas semanas e que tem por propósito remodelar o caminho tradicional de buscas, oferecendo ao usuário uma condensação rápida de informações coletadas na própria internet antes de oferecer opções de sites sobre o assunto desejado. Como toda ferramenta recém-lançada, precisa de ajustes. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! As respostas equivocadas à perguntas simples correm nas redes sociais para desqualificar não só a nova ferramenta, como também desqualificar generalizadamente o uso da IA no mundo moderno, atribuindo à máquina a falta de qualidade para suprir as necessidades do cidadão por informação correta e checada. Esse episódio ilustra bem a batalha que vem sendo travada na sociedade entre os que defendem o uso da inteligência artificial e os que criticam sua inserção nas atividades produtivas, na educação, na saúde, nas comunicações. O tema ganha espaço em debates profundos que envolvem a ética e a substituição de postos de trabalho por máquinas. Uma das melhores definições para a IA vem do professor Claudio Miceli, da Universidade Federal do Rio de Janeiro: “A Inteligência Artificial não é nem mocinha nem bandida: é uma ferramenta. Mocinhos e bandidos são as pessoas que vão utilizá-la, de forma responsável ou não”. A inteligência artificial oferece eficiência sem precedentes em várias áreas, desde diagnósticos médicos até automação de tarefas rotineiras. Pode impulsionar a inovação, economizar tempo e recursos, e melhorar a precisão em diversas aplicações. Em contrapartida, é preciso dizer que, como outras inovações tecnológicas lançadas no mundo, sempre é preciso aprimorar seus mecanismos a partir da constatação de falhas, deficiências e incongruências. Nenhuma ferramenta com essa dimensão nasce pronta e acabada, e essa consciência é necessária para que seu uso ocorra de forma paulatina, conforme se aprimoram seus processos. Outro aspecto contrário é a dependência excessiva, que pode criar vulnerabilidades e baixo desenvolvimento cognitivo se o público-alvo forem crianças e jovens. A parcimônia no uso da IA na formação e educação de crianças e adolescentes é fundamental, para que seja aliada no desenvolvimento de habilidades, raciocínio crítico, criatividade e lógica. Do contrário, passa a ser apenas mais um aplicativo ou plataforma para pensar e realizar tarefas, sem propósitos claros ligados à formação intelectual. Como diz o professor Claudio Miceli, a inteligência artificial não é mocinha nem bandido, é apenas mais uma ferramenta do universo digital que, bem usada, pode imprimir precisão, rapidez e eficiência no dia a dia das tarefas cotidians, liberando tempo às pessoas.