( Roberto Jayme/TSE ) Com apenas uma prefeitura de capital conquistada pelo PT no País, a de Fortaleza, é inegável que a esquerda em geral sofreu uma impressionante derrota nas eleições municipais. O avanço da direita e centro-direita e ainda do MDB, que tem as mais variadas cores, mostra que esses partidos entenderam as mudanças no eleitorado, que busca soluções pragmáticas para o seu dia a dia, como melhorar a renda e ter mais segurança, apesar desta última demanda ser atribuição dos estados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas os resultados não vieram apenas do debate político ou mesmo de ataques e guerra nas redes sociais. O peso da máquina pública também trouxe votos. Primeiro, os prefeitos estavam com o caixa bem preparado, pois houve excesso de arrecadação com a inflação decorrente da injeção de verba federal na pandemia. Aliás, indicadores apontam que as obras municipais colaboraram para a alta do Produto Interno Bruto neste ano. Em segundo, analistas afirmam que as emendas parlamentares tiveram o efeito desejado nos redutos de deputados e senadores, propiciando muitos votos. Como é mais do que conhecido que o Congresso está mais conservador e à direita, suas alianças municipais replicaram essa tendência. O caso de São Paulo merece uma análise à parte, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou na candidatura do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), de sigla à esquerda do PT, mesmo sabendo que a composição do Congresso e as pesquisas indicavam que os tempos atuais são bem mais favoráveis à direita. Em uma campanha inédita pelos golpes deferidos pelo influenciador Pablo Marçal (PRTB), e o vaivém dos apoios a Ricardo Nunes (MDB), a rejeição de Boulos deu a vitória ao emedebista. Agora, as lideranças petistas dizem reavaliar suas estratégias para 2026 e para o próprio futuro da legenda. O questionamento a Lula por sua jogada fracassada na Capital pode até ser feito, mas não deve avançar, pois a legenda não se renovou e o presidente é quem de fato detém os votos do PT. O papel do presidente e de seu antecessor nas eleições também tem sido muito discutido, com Lula quase ausente das campanhas sob justificativa de que não queria se indispor com sua aliança no Congresso. Bolsonaro foi bem mais atuante, vencendo em algumas capitais e perdendo em outras, mas ficou claro que a direita se dividiu. Outro resultado foi a força dos governadores, fundamentais para a vitória de muitos prefeitos, como São Paulo e Fortaleza. O que ficou evidente é que eles estão de olho em 2026, com a inelegibilidade de Bolsonaro, e candidaturas já são articuladas, como a do goiano Ronaldo Caiado, que pretende concorrer, obviamente, pela direita. A força de Lula na disputa de 2026 é inquestionável, mas falta saber se o PT vai aprender com os recentes resultados eleitorais e se modernizar, aproveitando mais as redes sociais, onde hoje estão os eleitores, mas principalmente adotando um programa em sintonia com a transformação da sociedade.