(Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) A divulgação pelo próprio Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de que durante décadas os dados cadastrais de aposentados ficaram expostos preocupa, e o problema precisa ser investigado a fundo. Segundo o INSS, isso não significa que efetivamente houve vazamento de informações pessoais, como nome, CPF, tipo de benefício e valor recebido. Mas há hipóteses para o uso indevido, como a venda dos dados para oferta de crédito consignado ou a ação de criminosos para pedir financiamento com a identidade do beneficiário. Como há queixas de assédio constante para contratação de empréstimos e fraude contra os segurados, aumenta a suspeita de que tal vulnerabilidade deu brecha a essas práticas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O INSS afirma que está investigando o alcance da exposição e eventual vazamento de dados e que após suas conclusões irá apresentá-los à Polícia Federal. Segundo o órgão, por muitos anos, servidores que deixavam o instituto previdenciário via exoneração ou pedido de demissão ficavam com seus logins, identificação pessoal que permite o acesso ao sistema. Além disso, os dados podiam ser acessados com senhas distribuídas a funcionários de órgãos fiscalizadores, como Controladoria-Geral e Advocacia-Geral da União, para defesa do governo em ações judiciais. Porém, também após demissões, os logins e senhas desses ex-servidores permaneciam válidos, e o uso era feito sem autenticação de duplo fator, que combate a ação de hackers. Antes uma atividade administrativa complexa, a facilidade e rapidez com que os dados transitam pelos meios eletrônicos, consequentemente com possibilidade de acesso de criminosos e de todo tipo de oportunistas, viraram um problema de grandes proporções tanto para órgãos públicos e empresas como para os cidadãos. Portanto, tornou-se fundamental destinar recursos volumosos para proteger essas informações, e isso precisa ser cobrado das autoridades. Apenas no caso do INSS, são atualmente 40 milhões de segurados, apontando a dimensão do problema. Mas já houve vazamento de dados de outras esferas do setor público, como informações dos usuários de cartões de transporte das capitais, e até mesmo o sequestro dados de grandes empresas no Brasil e no exterior, em países ricos ou em desenvolvimento. Especialistas alertam para o uso desenfreado do CPF para acessar aplicativos de bancos ou de serviços públicos ou ainda um simples site de entretenimento ou pesquisas de opinião. O ideal, afirmam, seria preservar esse dado. Entretanto, assim como os criminosos digitais ficam mais sofisticados, os sistemas também são aperfeiçoados, obrigando o usuário a autenticar sua entrada após informar a senha, ou mesmo as empresas aperfeiçoando suas varreduras para identificar vulnerabilidades ou tentativas de invasão. No fim das contas, os usuários precisam ser mais conscientizados sobre riscos e o que devem fazer preventivamente ou após os ataques e vazamentos.