( Divulgação ) A decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de emprestar R\$ 100 bilhões a microempreendedores individuais (MEIs) e micro, pequenas e médias empresas ajuda a reduzir um dos gargalos da economia, que é o acesso ao crédito. Porém, desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, o BNDES tem lançado linhas e programas para oferecer empréstimos aos negócios de menor porte, e na prática a instituição manteve sua imagem atrelado ao crédito para grandes empreendimentos ou companhias. Assim, ao longo das décadas, o problema da falta de financiamento a juros razoáveis para o pequeno negócio nunca foi de fato resolvido. O BNDES é uma instituição de fomento, que depende de parcerias com instituições do mercado, como bancos comerciais, que efetivamente ficarão responsáveis pela contratação dos usuários. Mas histórico de calote, dificuldade para elaborar planos de negócios que justificam o pedido de crédito e baixa capacidade econômica para adquirir produtos financeiros no relacionamento com o agente bancário funcionam como entraves difíceis de serem superados. Analistas que conhecem esse nicho do mercado dizem que os bancos não se interessavam muito por esse público pelas dificuldades naturais, lembrando que o País alterna períodos de inflação e recessão que destroem qualquer possibilidade de desenvolvimento. Essa tragédia econômica, somada à formação educacional deficiente e à falta de capacitação para a gestão de negócio e das finanças, está por trás da elevada mortalidade de empresas no País, principalmente até os cinco primeiros anos de criação. Mas houve uma mudança importante nos segmento bancário nos últimos anos – os bancos digitais, que são mais agressivos na disputa pela clientela, podem utilizar o on-line para chegar aos empreendedores periféricos no mercado de crédito. Para fomentar empréstimos a esse público, o BNDES reeditou o Programa Emergencial de Acesso a Crédito (FGI-Peac), portanto, não foi criado agora, sendo muito positiva a continuidade de linha vinda da gestão passada, e com experiência que ajuda a corrigir falhas anteriores. O diferencial do FGI-Peac é que as garantias são compartilhadas entre o BNDES e a instituição financeira, o que facilita a aprovação do empréstimo. O Peac, entretanto, exige não estar em situação de calote e veda o uso dos recursos para pagar financiamentos. Como é bem conhecida a penúria de milhares de negócios no País, o acesso continuará restrito a parte das empresas. Portanto, é importante que programas de renegociação continuem paralelamente, até porque a inadimplência tem relação com o período da pandemia e com o empréstimo emergencial que teve juros elevados pela alta da Selic nos últimos anos. No fim das contas, o mercado de crédito ainda precisa passar por uma consolidação, sendo o desafio principal oferecer juros em níveis mais aceitáveis.