(Unsplash) O governo do presidente americano Donald Trump começa hoje sob grande expectativa com três frentes mais impactantes – a taxação dos importados, inclusive provenientes de países amigos, a deportação em massa de imigrantes ilegais e a reversão das medidas ambientais sustentáveis adotadas pelo agora antecessor, o democrata Joe Biden. Falta descobrir qual o ritmo que Trump dará a cada uma dessas medidas. Por exemplo, a Casa Branca poderá impor barreiras aos produtos estrangeiros de forma imediata para atender o eleitorado ou adiar essa escalada protecionista para forçar negociações com parceiros como México e Canadá, entre outras economias. No caso do Brasil, até agora a ameaça mais próxima veio via Brics, o bloco dos emergentes, com Trump sugerindo restrições contra o uso de moedas alternativas ao dólar. No seu primeiro mandato, o americano já impôs tarifas contra o Brasil, alegando que o País tornava o real propositalmente mais barato. Entretanto, o ex-presidente do Banco do Brics, Marcos Troyjo, entre outros analistas, acha que o Brasil pode ser beneficiado. Troyjo afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que a China poderá retaliar o agronegócio americano por saber que esse setor é muito influente no Congresso dos EUA. Neste caso, Brasil e Argentina tendem a substituir os EUA como exportador aos chineses. Mas o Brasil poderia entrar na mira do gabinete de Trump pela política, com o bilionário Elon Musk, que vai assessorar o republicano, pressionando de alguma forma o presidente Lula, ainda mais porque devem crescer conflitos com as redes sociais da Meta e o X. A grande preocupação mundial com o Governo Trump é sua política interna, considerada uma ameaça real à democracia mais estável, com reflexos no planeta. Para este mandato, Trump trouxe nomes de confiança pessoal, ao contrário de sua gestão passada, formada com integrantes do Partido Republicano ou com nomes resistentes a suas políticas em instituições, como as Forças Armadas. Reportagens de bastidores chegaram a apontar que o então presidente quis reprimir os protestos contra a morte, em maio de 2020, de George Floyd em ação policial. Ele teria sido convencido a não agir. Além de ter maioria nas duas casas legislativas, Trump contará com conservadores na Suprema Corte. Ele ainda precisará cumprir promessas feitas via redes sociais na campanha, muitas delas associadas a extremistas, negacionistas e inimigos de causas identitárias, o que traz a possibilidade de um governo tumultuado por manifestantes nas ruas. Sua gestão também vai depender da economia, que Biden entrega com robustez, mas com perda de poder aquisitivo após muita inflação. Medidas protecionistas e deportação de imigrantes, eliminando mão de obra barata, são apontadas por economistas como combustíveis para a alta de preços. As primeiras semanas podem ser emocionantes, mas nas seguintes ele terá que mostrar resultados bem rapidamente.