( Lauren Bishop ) As mudanças climáticas, com temperaturas médias mais altas no inverno e outono, intercaladas com chuvas, favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Por isso, a proximidade do verão exige atenção redobrada, até mais que isso, pois de janeiro a outubro, 49 mortes foram provocadas pela doença na Baixada Santista, um número assustador que precisa ser bem divulgado à população por um maior engajamento voluntário. Procuradas por A Tribuna, as prefeituras afirmam que já realizam trabalho de prevenção ou que pretendem ampliar seus esforços até o fim do ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Já há vacina contra a infecção, mas como ainda é uma novidade e não existem doses para todos, a aplicação é destinada à faixa dos dez aos 14 anos, o público mais suscetível a contrair a doença. Os adultos, principalmente no caso da Baixada Santista, onde a doença reapareceu há quase 20 anos, tiveram exposição por mais tempo aos diferentes vírus da dengue em circulação na região e, por isso, há uma maior proporção de imunes. Entretanto, há sorotipos que avançam pelo País e que ainda poderão reinfectar a população, causando sintomas graves. Por isso, espera-se que o governo acelere a oferta do imunizante a todos os brasileiros. O que intriga é que entre os jovens beneficiados, a adesão ainda é baixa. Esse público e seus pais são informados via escolas, mas se nota falta de conscientização ou efeito das campanhas antivacina, que há anos se espalham pelas redes sociais, por exemplo, permitindo a persistência de doenças antes de baixa incidência, como o sarampo. A dengue impressiona porque bastava ter acabado com o mosquito transmissor, o que envolve reeducar a população sobre sua forma de lidar com o lixo e também de manter política pública sistemática de enfrentamento. Porém, o tempo passou e o inseto se adaptou com o clima favorável e se disseminou geograficamente – ele está presente agora em regiões mais frias, não só no Brasil, mas também na Europa, Estados Unidos e Japão. Em meio ao registro de mortes pela doença na região, é preciso admitir que a dengue prega peças na população e nas autoridades, pois em alguns anos ela arrefece, o que pode causar a impressão de que foi controlada, mas ela retorna infectando em maior quantidade e com óbitos, sob o risco da letalidade avançar mais rapidamente. Um dos pilares contra a infecção se baseia em manter os cidadãos informados sobre os sintomas para que possam apontá-los aos médicos e aos sanitaristas, deflagrando o combate local, que serve de prevenção contra a disseminação por todas as cidades. Além disso, é preciso haver maior conscientização sobre a destinação do lixo, pois isso contempla a eliminação dos criadouros do mosquito. E ainda, é fundamental insistir na importância da vacinação dos adolescentes – assim, a proteção dessa faixa, ainda exposta aos vírus da doença, vai funcionar como barreira aos retornos da dengue.