(Adobe Stock) O governo retomou o estímulo aos financiamentos para sustentar a economia em fase de desaceleração ao mesmo tempo em que tenta recuperar a popularidade do presidente Lula. O crédito é condição essencial para qualquer País se desenvolver, mas no Brasil ele funciona como gargalo: é caro demais, principalmente para os pequenos empreendedores por serem mais expostos ao calote. Agora, a gestão federal prepara uma modificação profunda no consignado, linha mais barata por realizar o desconto no salário de quem toma emprestado, reduzindo a inadimplência. A mudança se dará do lado do setor privado e não do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a operação sendo feita com base nos dados do trabalhador com carteira no eSocial, o portal das informações trabalhistas controlado pela União. Sem a intermediação do empregador, a ideia é aumentar a concorrência entre os bancos. Trata-se de uma mudança engenhosa, que dependerá do tempo e de uma boa gestão para dar certo. Se o novo consignado for usado para um consumo saudável, como reformar a casa ou trocar eletrodomésticos antigos por mais modernos e econômicos, já terá dado grande resultado. Mas também se espera que seja empregado para trocar dívidas caras por juros mais baixos, afastando a inadimplência. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que a população está disposta a pagar suas contas em dia. O endividamento segue elevado, atingindo 76,4% das famílias em fevereiro, após 76,1% em janeiro, uma leve alta. Já a proporção dos inadimplentes atingiu 28,6% em fevereiro, recuando de 29,1% em janeiro. Portanto, os brasileiros se endividaram mais, mas têm dado menos calote. A leitura que a CNC faz é de que o consumidor contraiu mais dívidas, mas com taxas mais baixas, para pagar as antigas, mais caras. Além disso, 20,5% dos devedores destinam mais da metade da renda para pagar contas, o menor porcentual desde novembro passado. São dados ainda preocupantes, mas que sinalizam uma melhora no perfil das dívidas, o que deve ter relação com a recuperação do mercado de trabalho. Uma renda estável aumenta a confiança para renegociar as contas e, quem sabe, voltar a comprar e investir. Entretanto, a estratégia do governo de estimular o consumo é um tanto arriscada devido aos atuais juros básicos elevados, de 13,25% ao ano. Esse patamar já começou a desacelerar a economia, sob risco da sustentação da adimplência, a geração de emprego, perder força. Por outro lado, ainda há muita desinformação sobre finanças pessoais, em meio à perigosa sedução dos jogos on-line. A Selic nas alturas deverá daqui a alguns meses começar a derrubar a inflação, aliviando o bolso. Mas é importante ensinar a população a ser criteriosa com o crédito, sem aventuras, pois uma economia instável como a brasileira pode deteriorar a qualquer hora as condições de consumo e empréstimo do País.